Publicado 25/06/2026 06:06

A UE transfere para a Ucrânia os primeiros 3.200 milhões do empréstimo europeu de 90.000 milhões

Von der Leyen e Costa defendem na Polônia uma reconstrução da Ucrânia “moderna, verde e digital”

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenksi, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante o último Conselho Europeu realizado em Bruxelas
AURORE MARTIGNONI

BRUXELAS, 25 jun. (EUROPA PRESS) -

A União Europeia efetuou nesta quinta-feira o primeiro desembolso, no valor de 3.200 milhões de euros, do novo empréstimo europeu de 90.000 milhões destinado à Ucrânia, uma parcela destinada a cobrir as necessidades financeiras e orçamentárias de Kiev, em um gesto que coincidiu com a Conferência sobre a Recuperação da Ucrânia, realizada na cidade polonesa de Gdansk nos dias 25 e 26 de junho.

Após a realização desse primeiro pagamento, que era esperado antes do fim do mês de junho, Bruxelas prevê mobilizar até 45.000 milhões de euros até o final do ano, enquanto o restante do instrumento ficará reservado para 2027, no âmbito de um planejamento coordenado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros parceiros internacionais.

A realização do primeiro pagamento foi anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que se reuniu em Gdansk com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, e o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, para discutir formas de garantir a recuperação da Ucrânia assim que a invasão russa terminar.

“Hoje transferimos a primeira parcela desse empréstimo: mais de 3 bilhões de euros em assistência macrofinanceira. E, nos próximos dias, começaremos a desembolsar a primeira parcela dos 6 bilhões de euros destinados à produção de drones. Isso é solidariedade em ação”, afirmou ela durante uma intervenção pública.

Segundo a conservadora alemã, “a Ucrânia próspera de amanhã exige um investimento maciço hoje”, e por esse motivo a União Europeia já destinou 200.000 milhões em apoio econômico, financeiro e militar a Kiev desde o início da guerra, que se somarão ao empréstimo de 90.000 milhões acordado pelos líderes da UE em dezembro.

Essa ajuda, acrescentou ela, demonstra que o apoio da Europa à Ucrânia “veio para ficar”, enquanto, ao mesmo tempo, o bloco comunitário faz um apelo a todos os seus parceiros “para que mantenham seu apoio, pois uma Ucrânia forte e independente é do interesse de todos”.

“Nossa ambição não é apenas ajudar a Ucrânia a resistir, mas ajudá-la a crescer e prosperar como um país livre e europeu”, prosseguiu Von der Leyen, afirmando que a UE “se tornou a maior provedora de investimentos e apoio à assunção de riscos na Ucrânia” e que já está ajudando na reconstrução de cidades, no setor energético e em empresas ucranianas.

INVESTIR NA UCRÂNIA É INVESTIR NA EUROPA

Dito isso, ela explicou que o Fundo Insignia Europeu, criado no ano passado durante a Conferência sobre a Recuperação da Ucrânia realizada em Roma, “já está pronto para entrar em operação” e investirá recursos nos “setores mais estratégicos para o futuro” do país, desde a energia limpa até as infraestruturas, passando pelas empresas de alto crescimento “que impulsionarão a economia ucraniana nas próximas décadas”.

O fundo pode mobilizar até 500 milhões de euros ainda este ano, com o objetivo de atingir 1.000 milhões ao longo do tempo. O capital público, explicou a presidente da Comissão Europeia, assumirá a primeira parcela de risco para gerar “a confiança necessária” para atrair investimentos privados em grande escala.

“A mensagem aos investidores é simples: quando se investe na Ucrânia, não se investe apenas em seu futuro, mas também no futuro da Europa”, concluiu ela.

“A DEMOCRACIA PODE VENCER A AUTOCRACIA”

Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou que a realização do primeiro pagamento do empréstimo de apoio à Ucrânia demonstra que o apoio comunitário é “constante e inabalável” para ajudar Kiev “a alcançar uma paz justa e duradoura”.

Costa lembrou que a UE já adotou 20 pacotes de sanções contra a Rússia e anunciou que está preparando o próximo, além de ter tomado a decisão política de prorrogar as sanções setoriais por um ano, em vez dos seis meses habituais. “Essas medidas são eficazes e têm como objetivo levar a Rússia a negociações genuínas”, afirmou.

O socialista português reafirmou que a visão da UE “vai além da guerra”. “A reconstrução não consiste apenas em reparar a destruição; trata-se de construir uma Ucrânia melhor. Estamos lançando as bases para uma economia moderna, verde e digital que fortalecerá todo o continente europeu”, indicou.

Nesse sentido, ele comemorou a abertura formal, na semana passada, do primeiro grupo de capítulos de adesão e expressou o desejo de abrir todos os grupos restantes “o mais rápido possível”, reiteração do compromisso assumido pelos líderes da União Europeia há quatro anos: “O futuro da Ucrânia está na União Europeia”.

Assim sendo, ele concluiu ressaltando que a reconstrução da Ucrânia “é uma contribuição fundamental para uma paz duradoura na Europa” e que demonstra que “a liberdade e a democracia podem prevalecer sobre a autocracia”. “Juntos, podemos ajudar a Ucrânia a se reerguer, mais forte, mais livre, dentro da nossa União e mais próspera do que nunca”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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