Publicado 01/04/2026 08:19

A UE propõe alterações técnicas no seu mercado de carbono para se preparar para eventuais aumentos de preços

Archivo - Arquivo - As bandeiras da União Europeia tremulam em frente ao edifício Berlaymont, em Bruxelas, sede da Comissão Europeia.
Alicia Windzio/dpa - Arquivo

BRUXELAS 1 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia propôs nesta quarta-feira alterar uma das regras técnicas do Sistema Europeu de Comércio de Emissões (ETS) para manter mais direitos de CO2 em reserva e reforçar sua capacidade de ação diante de um cenário de maior pressão nos preços e possível escassez na próxima década.

Especificamente, o Executivo comunitário propõe deixar de cancelar automaticamente os direitos acumulados na chamada reserva de estabilidade do mercado quando ultrapassarem os 400 milhões, de modo que permaneçam disponíveis em vez de desaparecerem do sistema.

Até agora, essas licenças eram eliminadas definitivamente como parte do mecanismo concebido para reduzir o excesso de oferta. Com a mudança, elas passarão a ser mantidas como uma reserva que permitiria agir em caso de escassez ou volatilidade.

A Comissão justifica a iniciativa pela evolução do sistema, que, após anos de superávit, caminha para uma fase de maior escassez na próxima década, o que, segundo alerta Bruxelas, poderia se traduzir em maior pressão sobre os preços se não houver ferramentas adicionais disponíveis.

O Executivo comunitário alerta que manter esses direitos na reserva permitirá, assim, contar com uma “margem de manobra” adicional para estabilizar o mercado em momentos de tensão, sem alterar a estrutura geral do sistema nem intervir diretamente na formação dos preços, que continua dependendo da oferta e da demanda.

A proposta, que deverá agora ser negociada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho, surge após constatar que o mecanismo atual contribuiu para reduzir o excedente acumulado no mercado, ajudando, conforme explica a Comissão, a restabelecer o equilíbrio do sistema.

RISCO DE VOLATILIDADE E REVISÃO DO MECANISMO EM JULHO

Bruxelas insere esta iniciativa num contexto de maior incerteza energética decorrente da guerra no Oriente Médio, que está pressionando os mercados e elevando o risco de oscilações bruscas nos preços do carbono.

Nesse sentido, o Executivo comunitário defende que reforçar a reserva permitirá amortecer futuros episódios de volatilidade e oferecer maior certeza à indústria, num momento crucial para impulsionar investimentos em descarbonização.

A alteração faz parte de um pacote mais amplo de ajustes do ETS que a Comissão apresentará em julho, quando abordará a revisão do sistema para além de 2030, a fim de adaptá-lo à nova meta climática de reduzir as emissões em 90% até 2040.

Segundo argumenta a Comissão, o ETS, em funcionamento desde 2005, tem sido um dos principais instrumentos da UE para reduzir as emissões, com uma queda de cerca de 50% nos setores abrangidos, especialmente na geração de energia elétrica, embora com avanços mais limitados na indústria.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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