Publicado 16/01/2026 15:17

A UE e o Mercosul assinam amanhã um acordo comercial histórico que ainda terá de passar por um processo de ratificação tenso.

Archivo - Arquivo - 06 de dezembro de 2024, Uruguai, Montevidéu: (da esquerda para a direita) o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Bras
Santiago Mazzarovich/dpa - Arquivo

Será criada a maior área de livre comércio do mundo, com um mercado potencial de 700 milhões de pessoas BRUXELAS 16 jan. (EUROPA PRESS) -

A União Europeia e os países do Mercosul assinarão amanhã, sábado, o acordo de livre comércio com o qual as duas regiões culminam quase 26 anos de negociações e estabelecem um novo quadro de relações que, com a oposição da Europa e meia dúzia de países, pode entrar em vigor de forma provisória, mas terá de passar por um tenso processo de ratificação para sua aplicação definitiva.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além do comissário de Comércio, Maros Sefcovic, representarão a União Europeia na cerimônia que será realizada em Assunção, capital do país que exerce neste semestre a presidência rotativa do Mercosul.

A cerimônia, que terá início às 13h15 (hora local, 17h15 CET) no Gran Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai, contará com a presença dos presidentes do Paraguai, Santiago Peña; do Uruguai, Yamandú Orsi; e da Argentina, Javier Milei. Não estará presente, no entanto, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que justificou sua ausência por motivos de agenda, alegando que o programa inicialmente contava apenas com os ministros das Relações Exteriores para a assinatura e que foi em cima da hora que o convite foi feito aos mandatários.

“A União Europeia e o Mercosul farão história ao criar um dos maiores espaços de livre comércio do mundo”, comemorou Lula da Silva na véspera da cerimônia, em uma coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, acompanhado pela chefe do Executivo comunitário, Ursula von der Leyen.

Após um quarto de século de “sofrimento e tentativas” para chegar a um acordo, as duas regiões criam uma nova parceria “baseada no multilateralismo”, disse o presidente brasileiro, que também enfatizou que os signatários reafirmam o “pleno respeito” a todos os pactos internacionais das Nações Unidas e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A partir da assinatura, a parte comercial de competência exclusiva da UE poderá entrar em vigor de forma provisória quando o primeiro país do Mercosul a ratificar, sem esperar pelo consentimento do Parlamento Europeu, que ainda não tem data para a votação e cujos grupos enfrentam divididos, mais atentos aos interesses nacionais do que às famílias políticas, o escrutínio do pacto.

De todo modo, as fortes críticas do setor agroalimentar europeu e a ameaça dos eurodeputados de levar o acordo ao Tribunal de Justiça da UE (TJUE) se isso ocorrer, fizeram com que Bruxelas se mostrasse cautelosa e não esclarecesse se contempla essa entrada em vigor provisória ou se aguardará o consentimento do Parlamento Europeu.

O plenário do Parlamento Europeu pode aprovar ou rejeitar o acordo na sua totalidade, mas não o pode alterar. Entretanto, a sessão plenária da próxima semana inclui na sua agenda duas resoluções — uma da extrema-direita e outra da esquerda radical — que pedem a denúncia da assinatura perante o TJUE. O acordo de associação, por sua vez, poderá entrar em vigor provisoriamente nessa altura, mas precisará também da aprovação dos 27 a nível nacional para a sua aplicação definitiva. Então, os acordos entre a UE e o Mercosul enfrentarão outro desafio no caminho da ratificação definitiva, tendo em conta que a luz verde para a assinatura foi dada com o apoio de 21 dos 27, uma vez que cinco países votaram contra — França, Hungria, Polônia, Irlanda e Áustria — e a Bélgica se absteve.

SALVAGUARDAS AGRÍCOLAS PARA CONVENCER A ITÁLIA E MITIGAR CRÍTICAS DO SETOR AGRÍCOLA

Para superar a oposição de vários países à assinatura, a Comissão acordou com o Conselho e o Parlamento Europeu um conjunto de salvaguardas que reforçam a proteção do campo europeu contra potenciais distorções graves causadas pela abertura ao Mercosul em setores sensíveis para os europeus, como aves, carne bovina, ovos, cítricos e açúcar.

Essas medidas estabelecem limites específicos para que Bruxelas possa iniciar investigações — e ativar medidas específicas posteriormente — em caso de forte impacto nos produtos agrícolas europeus, se as importações de produtos sensíveis aumentarem em média 5% e os preços caírem na mesma porcentagem em um período de três anos (em comparação com os 10% propostos inicialmente pela Comissão).

UM MERCADO DE 700 MILHÕES DE PESSOAS Bruxelas estima que, em virtude do acordo, as empresas europeias poderão economizar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas alfandegárias por ano e se beneficiarão de procedimentos alfandegários mais simples, ao mesmo tempo em que garante acesso privilegiado a matérias-primas essenciais.

O acordo entre a UE e o Mercosul permitirá estabelecer a maior área de livre comércio do mundo, com 700 milhões de pessoas, e para isso serão eliminados progressivamente 91% dos direitos aduaneiros que o Mercosul cobra atualmente sobre os produtos europeus e 92% dos impostos que o mercado único cobra sobre as compras aos países do Cone Sul.

O novo quadro, que além do pacto comercial estabelece um acordo de associação política e cooperação, também aspira estreitar os laços entre os dois blocos diante de desafios como as mudanças climáticas e a transição digital e, acima de tudo, ganhar peso geopolítico em um contexto de instabilidade internacional, tensões transatlânticas nas áreas comercial e política e a busca de alternativas para romper com as dependências de recursos estratégicos até agora obtidos da Rússia e da China.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado