Publicado 27/03/2026 05:50

A UE aprova reforma aduaneira que reforça o controle sobre plataformas como a Shein e a Temu

Os consumidores europeus veem na reforma o “fim da impunidade” dos vendedores e plataformas online que ignoram as regras da UE

Archivo - Arquivo - O comissário para o Comércio, Maros Sefcovic, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas.
ALEXANDROS MICHAILIDIS /EUROPEAN UNION - Arquivo

BRUXELAS, 27 mar. (EUROPA PRESS) -

A União Europeia aprovou uma reforma da política aduaneira comum que visa simplificar e agilizar os trâmites, mas também reforçar o controle sobre vendedores e plataformas online como Shein e Temu, que serão responsáveis por garantir que os produtos que introduzem no mercado comum cumpram as normas da UE e estarão sujeitos a multas caso cometam infrações sistemáticas.

O comissário de Comércio, Maros Sefcovic, classificou como “histórico” o acordo alcançado entre os negociadores do Parlamento Europeu e do Conselho (governos), pois representa um “passo transformador rumo a um sistema mais unificado e moderno”.

A reforma, que precisará nos próximos meses da aprovação formal dos Vinte e Sete e do Parlamento Europeu para entrar em vigor, criará uma plataforma central de gestão de dados e promoverá a coordenação entre os Estados-Membros a partir da Autoridade Aduaneira Europeia (EUCA), cuja sede foi disputada por Málaga, mas que finalmente ficará na cidade francesa de Lille.

Este centro europeu de dados aduaneiros deverá começar a funcionar em 2028 para o comércio online e estar plenamente operacional para todos os tipos de empresas em 2031, com o objetivo de se tornar o “único ponto de entrada aduaneiro” da União até 2034, o que simplificará os trâmites e permitirá reduzir custos tanto para as autoridades de controle quanto para as empresas.

Conforme detalhado pelo Parlamento Europeu em um comunicado, as empresas que infringirem repetidamente a regulamentação da UE enfrentarão multas de pelo menos 1% (e até 6%) do valor total das mercadorias importadas para o mercado comum nos últimos 12 meses, e as autoridades aduaneiras poderão suspender, revogar ou cancelar seu status de operador de confiança ou de Operador Econômico Autorizado e classificá-las como operadores de “alto risco”.

De acordo com os dados fornecidos pela Comissão Europeia, somente em 2025 entraram no mercado comum 5,9 bilhões de artigos de baixo valor enviados diretamente aos consumidores finais, dos quais 90% eram provenientes da China. O forte aumento e a complexidade dos trâmites dificultavam o controle aduaneiro e aumentavam o risco de que artigos perigosos ou ilegais chegassem aos europeus.

NOVAS TARIFAS

Como um primeiro passo rumo a essa reforma, cuja ratificação ainda está pendente, a União Europeia aprovou uma medida em dezembro passado pela qual, a partir de julho próximo, será aplicada uma tarifa de 3 euros às encomendas de baixo valor (menos de 150 euros), como solução temporária que elimina a isenção de impostos sobre esse tipo de compra até que a reforma definitiva entre em vigor.

Com isso, o bloco busca nivelar as condições de concorrência entre as vendas do comércio eletrônico e o comércio varejista tradicional, mas, assim que o centro de dados aduaneiro estiver plenamente operacional, serão aplicados os direitos aduaneiros normais, conforme precisou a Comissão Europeia.

Além disso, a reforma prevê outra “taxa de gestão” que começará a ser cobrada o mais tardar em novembro de 2026 para compensar a sobrecarga das autoridades aduaneiras diante do enorme crescimento das compras pela Internet em plataformas como Temu, Shein ou Amazon. Essa sobretaxa deverá ser paga pela mesma entidade responsável pelo pagamento das demais despesas aduaneiras da encomenda, para evitar que recaia sobre o consumidor final.

O valor ainda está por definir, mas deverá ser calculado com base nos custos mínimos assumidos pelas autoridades ao processar as mercadorias, decorrentes, por exemplo, dos recursos informáticos e de pessoal mobilizados para verificar os dados, realizar análises de risco e efetuar controles quando necessário. O valor será fixado pela Comissão Europeia e reavaliado a cada dois anos.

AS PLATAFORMAS SERÃO RESPONSÁVEIS

Outro ponto-chave da reforma centra-se em tornar os operadores “responsáveis” pelas mercadorias que introduzem na União Europeia, uma vez que as plataformas e outros vendedores online deverão informar o centro aduaneiro sobre as vendas que realizam imediatamente após a sua conclusão, o que permitirá às autoridades reagir antes mesmo de os produtos chegarem à fronteira da União.

Os operadores também serão responsáveis por garantir o cumprimento da legislação da UE aplicável aos seus produtos, incluindo as normas fiscais e não fiscais; por isso, estão previstas também sanções específicas em caso de incumprimentos sistemáticos. Bruxelas destaca que esta mudança permitirá aliviar o peso da responsabilidade que, no modelo atual, recaía sobre os consumidores individuais.

Assim, com este quadro, as plataformas de venda de baixo custo que enviam diretamente ao consumidor europeu serão também consideradas empresas importadoras, pelo que serão obrigadas a fornecer às autoridades aduaneiras todos os dados necessários, pagar ou garantir as despesas correspondentes e assegurar que os produtos cumprem a legislação da UE.

Além disso, para impedir que recorram a “empresas-fantasma” com as quais eludam a responsabilidade, essas empresas deverão estar estabelecidas na UE ou ser representadas por uma entidade com sede na UE que possua o status de operador econômico autorizado ou de operador de confiança.

CONSUMIDORES VÊEM “O FIM DA IMPUNIDADE”

A reforma foi aplaudida pela Organização Europeia de Consumidores (BEUC, na sigla em francês), que vê no novo marco o “fim da impunidade” para os vendedores e plataformas online que vêm “ignorando há muito tempo” as normas de segurança da União Europeia.

“A Europa foi inundada por uma enxurrada de pacotes provenientes da China e as autoridades aduaneiras simplesmente não conseguiram lidar com isso”, descreveu em um comunicado o diretor-geral da BEUC, Agustín Reyna, que considerou que a reforma é um passo para “mudar o rumo” e frear a entrada de produtos perigosos no mercado comunitário.

Ele também destacou que o novo marco “protegerá a concorrência leal”, pois apoiará as empresas que respeitam a legislação comunitária em detrimento daquelas que lucravam infringindo as normas.

No entanto, os consumidores europeus alertaram que ainda há muito a ser feito e expressaram confiança de que as autoridades alfandegárias receberão os recursos e as ferramentas necessárias para garantir que possam colocar em prática o que foi acordado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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