Publicado 06/05/2026 14:31

O Tribunal de Contas da UE questiona as informações fornecidas pela Espanha sobre os beneficiários de fundos europeus

Archivo - Arquivo - As bandeiras da União Europeia tremulam em frente ao edifício Berlaymont, em Bruxelas, sede da Comissão Europeia.
Alicia Windzio/dpa - Arquivo

BRUXELAS 6 maio (EUROPA PRESS) -

O Tribunal de Contas da União Europeia identificou “deficiências” nas informações publicadas pela Espanha sobre os principais beneficiários dos fundos europeus de recuperação, ao mesmo tempo em que alerta que as autoridades espanholas comunicam valores “atribuídos” em vez de valores “recebidos”, conforme exige a legislação comunitária.

É o que consta de um relatório publicado nesta quarta-feira sobre a transparência e a rastreabilidade do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR), o fundo criado após a pandemia e dotado de 577 bilhões de euros, no qual os auditores europeus alertam ainda para “lacunas” no sistema de informação sobre essas ajudas em nível comunitário.

Especificamente, o órgão fiscalizador aponta que a Espanha publica na lista dos cem maiores beneficiários finais “os montantes atribuídos” a cada beneficiário “em vez dos montantes recebidos”, apesar de o regulamento do fundo estabelecer que devem ser comunicados os montantes efetivamente recebidos.

Além disso, aponta que a Espanha “apenas publica os beneficiários das medidas com marcos e objetivos incluídos nos pedidos de pagamento enviados à Comissão” e que informa apenas sobre “os montantes atribuídos por componente do plano e não por medida”.

O Tribunal acrescenta, no entanto, que as autoridades espanholas estão trabalhando em uma atualização dessas informações para ampliar a cobertura a todo o plano de recuperação.

O relatório também coloca a Espanha entre os países cujos sistemas não recolhem de forma sistemática todas as informações sobre a utilização dos fundos europeus e assinala que parte dos dados sobre custos reais só estão disponíveis “mediante pedido”.

Segundo os auditores europeus, esta situação pode traduzir-se em atrasos de vários meses no acesso a determinados dados e dificulta a obtenção de uma visão completa sobre o destino final das ajudas.

A análise examina um total de dez Estados-Membros — Alemanha, Áustria, Bulgária, Espanha, Estônia, França, Letônia, Malta, Países Baixos e Romênia — e conclui que, embora os fundos sejam rastreáveis “até certo ponto”, as informações públicas continuam sendo “incompletas”.

Em termos gerais, o Tribunal conclui que o Fundo Europeu de Recuperação “apresenta lacunas na rastreabilidade e na transparência das despesas” e considera “insuficiente” a informação pública sobre beneficiários, custos reais e resultados alcançados.

“Não dispomos de uma visão completa de como os fundos do Fundo de Recuperação da Europa (FRE) são utilizados. Os cidadãos têm o direito de saber como os fundos públicos são utilizados, quem os recebe e quanto é realmente gasto”, afirmou o Tribunal.

BRUXELAS DEFENDE O SISTEMA DO FUNDO

Em resposta ao relatório, a Comissão Europeia defendeu o modelo de funcionamento do fundo de recuperação e sublinhou que o MRR opera sob um sistema de desembolsos vinculado ao cumprimento de marcos e objetivos, e não ao reembolso de custos concretos, como ocorre em outros instrumentos orçamentários da UE.

Bruxelas ressaltou ainda que o regulamento do MRR “exclui explicitamente os controles baseados em custos” e estabelece que os pagamentos “não devem estar sujeitos a controles sobre os custos efetivamente incorridos pelo beneficiário”.

Assim, o Executivo comunitário sustenta que o sistema garante a prestação de contas por meio de “medidas sólidas de transparência”, entre elas a publicação de avaliações dos planos nacionais, pedidos de pagamento e relatórios de progresso, bem como orientações dirigidas aos Estados-Membros sobre suas obrigações de informação.

A Comissão também rejeita as recomendações apresentadas pelo Tribunal de Contas e argumenta que não há “base jurídica” para exigir dos Estados-Membros dados detalhados sobre os custos reais das medidas financiadas pelo fundo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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