Publicado 07/07/2026 13:38

O Tribunal de Contas da UE alerta que os recursos destinados à reforma de residências não estão gerando grandes economias de energia

Conjuntos habitacionais. Em primeiro plano, com a fachada restaurada; e, ao fundo, em seu estado original
EUROPA PRESS

BRUXELAS 7 jul. (EUROPA PRESS) -

O Tribunal de Contas Europeu alertou nesta terça-feira que os 43 bilhões de euros do Fundo Europeu de Recuperação destinados a melhorar a eficiência energética das residências não estão gerando a maior economia possível, ao considerar que o financiamento comunitário tem priorizado reformas mais rápidas e fáceis de executar em detrimento de reformas de maior alcance e com efeito a longo prazo.

O órgão fiscalizador sustenta, além disso, que a Comissão Europeia e os Estados-Membros também não dispõem de mecanismos suficientes para verificar a rentabilidade desses investimentos nem para medir com confiabilidade as economias de energia realmente obtidas, o que, em sua opinião, coloca em risco o cumprimento das metas climáticas e energéticas da UE.

Assim, o órgão lembra que cerca de três quartos dos edifícios da União continuam sendo ineficientes do ponto de vista energético e que aproximadamente um quarto do consumo europeu nessa área corresponde ao parque residencial; por isso, considera fundamental promover reformas profundas para reduzir o consumo e as emissões.

No entanto, os auditores concluem que, na prática, a maior parte dos recursos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) foi destinada a intervenções de complexidade média ou baixa, enquanto as reformas integrais, capazes de gerar economias superiores a 60%, quase não receberam apoio específico.

Segundo o Tribunal, as visitas de auditoria realizadas em vários Estados-Membros revelam que, em geral, não são utilizados critérios para selecionar os projetos com maior potencial de economia de energia nem para priorizar as residências com maiores necessidades; assim, os recursos são alocados com o objetivo de executá-los rapidamente e não com base em seu impacto.

Os auditores alertam ainda que essa abordagem pode dificultar melhorias futuras, uma vez que as reformas intermediárias podem deixar os edifícios, por anos, com níveis de eficiência inferiores e tornar mais onerosas as intervenções posteriores para sua descarbonização.

O relatório também questiona o sistema de acompanhamento utilizado pela Comissão e pelos Estados-Membros. Segundo o texto, das 111 medidas de reabilitação analisadas, apenas três incorporavam metas diretamente ligadas à economia de energia, enquanto a maioria avaliava o progresso por meio de indicadores como o número de residências reabilitadas ou a área renovada.

Nesse contexto, o Tribunal considera que os certificados de eficiência energética, habitualmente utilizados para estimar as economias, não oferecem dados suficientemente confiáveis nem comparáveis, uma vez que refletem consumos teóricos que podem diferir do consumo real e, além disso, apresentam erros que podem superestimar ou subestimar os resultados obtidos.

Diante dessas conclusões, o Tribunal recomenda que a Comissão oriente melhor os futuros auxílios para reformas profundas, estabeleça metas relacionadas à economia de energia, aprimore a metodologia para medir os resultados e avalie a rentabilidade dos investimentos com vistas aos próximos programas orçamentários da UE.

A COMISSÃO DEFENDE A ESTRUTURA DO FUNDO

Em resposta ao relatório, Bruxelas defende que o MRR não obrigava os Estados-Membros a financiar reformas profundas e sustenta que muitos optaram por intervenções voltadas para um número maior de residências a fim de acelerar a execução das obras, embora alguns tenham incluído reformas de maior alcance.

O Executivo comunitário aceita, além disso, parcialmente as recomendações do Tribunal para reforçar o acompanhamento desses investimentos no próximo orçamento europeu, embora rejeite as críticas sobre os certificados de eficiência energética e argumente que eles constituem uma ferramenta “sólida” para estimar a economia de energia, apesar de não ser possível medi-la com precisão absoluta.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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