Publicado 16/07/2026 07:12

O TJUE determina que o Google pode ser responsabilizado pelos vídeos no YouTube caso compartilhe receitas com um criador

Archivo - Arquivo - ARQUIVADO - 12 de maio de 2023, EUA, Mountain View: O logotipo do Google pode ser visto em um prédio na sede da empresa. Foto: Andrej Sokolow/dpa
Andrej Sokolow/dpa - Arquivo

BRUXELAS 16 jul. (EUROPA PRESS) -

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) decidiu nesta quinta-feira que o Google pode ser considerado legalmente responsável pelos vídeos do YouTube que infringirem a lei, caso a plataforma mantenha um acordo comercial com o criador e compartilhe com ele as receitas publicitárias, considerando que, nesses casos, ela deixa de atuar como um mero intermediário neutro.

A decisão do Tribunal de Justiça responde a uma consulta da justiça italiana após uma multa de 750.000 euros imposta ao Google em 2022 pela divulgação de vídeos que promoviam jogos de azar on-line, proibidos na Itália.

A multinacional de tecnologia recorreu da multa, alegando que era um simples “intermediário” ou “provedor de hospedagem de dados”. Também invocou a lei europeia de comércio eletrônico, argumentando que ela a isentava de responsabilidade pelo conteúdo de terceiros, mas a justiça italiana respondeu que os jogos de azar estão excluídos do âmbito de aplicação dessa normativa europeia.

Após uma consulta do Conselho de Estado italiano ao TJUE, este esclareceu que, embora os jogos de azar estejam excluídos das normas europeias de comércio eletrônico devido a divergências morais e culturais entre os países, a hospedagem de publicidade sobre eles está, sim, sujeita a essa legislação.

Além disso, explicou que, para que uma plataforma não seja responsável pelo que seus usuários publicam, ela deve agir “de maneira técnica, automática e passiva”, ou seja, sem controlar nem ter conhecimento real do que está sendo publicado. Não era esse o caso, pois o Google tinha um contrato de parceria comercial com o criador de conteúdo para dividir os lucros da publicidade.

Antes de assinar esse contrato, a empresa deveria ter analisado “a fundo” o canal do criador, examinando a temática do canal, seus vídeos mais vistos, os vídeos mais recentes e seus metadados. Portanto, adquiriu um “conhecimento concreto” sobre o tema do canal e deixou de ser um intermediário que apenas “hospeda dados”.

Após o TJUE ter respondido à consulta, cabe agora à justiça italiana verificar se, com base nesse contrato de parceria, o Google poderia razoavelmente saber que o canal do YouTube promovia jogos de azar de forma ilícita.

No entanto, o parecer do tribunal superior europeu estabelece um precedente para outras plataformas na Internet, pois, se elas analisarem o conteúdo de um criador para estabelecer uma parceria comercial com ele, perderiam a proteção que a lei europeia de comércio eletrônico lhes confere como meros intermediários e passariam a ser responsáveis por seus conteúdos caso estes infringissem a lei.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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