Publicado 06/03/2026 14:02

A Suécia alerta Bruxelas que a política energética da UE pode provocar preços "irracionais"

Archivo - Arquivo - Bandeiras da Suécia e da União Europeia no Parlamento sueco
WEI XUECHAO / XINHUA NEWS / CONTACTOPHOTO

BRUXELAS 6 mar. (EUROPA PRESS) - O Governo da Suécia alertou a Comissão Europeia de que a atual política energética da UE poderá estar a conduzir a preços de eletricidade “irrazoáveis” e solicitou a revisão de algumas das iniciativas legislativas em curso, em particular o chamado pacote das redes elétricas.

“Vimos em primeira mão como as políticas centradas principalmente em aumentar a quota de energias renováveis, ampliar a capacidade da rede e construir novas interconexões provocaram preços de eletricidade irracionais”, indicou em uma carta enviada à presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

Na carta, o governo sueco defende que “um mercado elétrico da UE que funcione adequadamente é um pré-requisito para garantir preços competitivos de eletricidade e satisfazer a demanda por energia livre de combustíveis fósseis”.

A Suécia destaca que atualmente exporta a maior quantidade de eletricidade per capita de toda a União Europeia e que 99% de sua produção elétrica é livre de combustíveis fósseis, o que, em sua opinião, demonstra seu compromisso com os objetivos climáticos do bloco.

Além disso, expressa sua preocupação com a direção que a política energética comunitária está tomando e questiona se as novas propostas respondem adequadamente às necessidades dos diferentes Estados-Membros. Em particular, critica alguns elementos do pacote de redes elétricas, impulsionado por Bruxelas, como a possibilidade de financiar infraestruturas elétricas transfronteiriças através de uma repartição obrigatória de custos e benefícios entre países.

Da mesma forma, rejeita a ideia de conceder à UE um maior controle sobre as receitas derivadas da congestão nas redes elétricas, uma medida que considera “desproporcionada e atualmente inaceitável”.

O Executivo sueco também alerta para os riscos de introduzir um cenário comum de planejamento energético à escala europeia e adverte que “uma abordagem centralizada e de baixa resolução não pode refletir adequadamente as estruturas industriais nacionais, as considerações de segurança nem as limitações regionais da rede”. DEFESA DO MODELO ATUAL DE PREÇOS

A carta também mostra preocupação com os debates que surgiram em torno de uma possível intervenção no modelo de fixação de preços do mercado grossista de eletricidade. Neste sentido, a Suécia defende a manutenção do sistema atual baseado em preços marginais, considerando que este garante que a procura de eletricidade seja coberta ao menor custo possível num mercado competitivo.

O governo sueco salienta ainda que a política energética europeia deve respeitar plenamente o direito dos Estados-Membros de decidirem o seu próprio mix energético, em conformidade com o princípio da subsidiariedade. MAIS CAPACIDADE DE GERAÇÃO E OBJETIVOS DE ELETRIFICAÇÃO

De cara ao futuro, Estocolmo pede à Comissão que concentre seus esforços em reforçar a capacidade de geração de eletricidade na Europa e em melhorar as condições para investir em nova produção estável. “A Europa precisa construir mais capacidade de produção de eletricidade capaz de satisfazer a demanda prevista todos os dias, durante todo o ano”, indica a carta.

Entre as medidas propostas, sugere-se o estabelecimento de objetivos europeus de eletrificação e adequação de recursos para todos os Estados, a fim de garantir que cada país disponha de capacidade suficiente para cobrir tanto a demanda atual como a futura.

Na opinião do governo sueco, essa abordagem permitiria abordar as causas estruturais dos preços elevados e voláteis da eletricidade, ao mesmo tempo em que reforçaria a segurança energética do bloco em um contexto de crescente incerteza geopolítica. “A Suécia será um membro forte e ativo na configuração dessas futuras políticas energéticas da UE”, conclui a carta dirigida à presidente da Comissão.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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