BRUXELAS, 17 jun. (EUROPA PRESS) -
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, defendeu nesta quarta-feira que as fusões transfronteiriças entre os grandes bancos europeus podem ajudar a avançar rumo a um mercado europeu de capitais mais integrado, uma tarefa que ela considera “urgentemente necessária” para reforçar a competitividade da União e financiar a inovação e as transições digital e ecológica.
“Mercados de capitais mais profundos e integrados são mais importantes do que nunca. A conclusão do mercado único continua sendo uma das prioridades mais urgentes para a competitividade da Europa. As fusões transfronteiriças de nossos grandes bancos europeus poderiam contribuir nesse sentido”, afirmou Ribera durante sua intervenção no Fórum Europeu de Concorrência, realizado em Bruxelas.
Em um momento em que a UE busca reduzir sua dependência de fontes externas de financiamento e evitar que as empresas inovadoras europeias sejam obrigadas a crescer fora do continente, a ex-ministra espanhola defendeu que um verdadeiro mercado europeu de capitais integrado permitiria às empresas acessar financiamento “em cada etapa de seu desenvolvimento”, canalizar as poupanças europeias para “o futuro da Europa” e reduzir a dependência de capital externo.
A vice-presidente destacou que a Europa “não sofre de escassez de ideias nem de falta de talento”, mas que seu principal desafio é transformar a inovação em crescimento industrial e empresarial. “Somos bons em inventar, mas somos tímidos na hora de crescer”, resumiu ela, o que, em sua opinião, não se deve tanto a uma questão de concorrência quanto à fragmentação do mercado único.
“Não podemos esperar que as empresas europeias concorram globalmente se continuarmos enfrentando a fragmentação em casa”, advertiu Ribera, que insistiu que a escala não depende apenas do tamanho das empresas, mas também do tamanho do mercado em que operam.
A ex-ministra espanhola defendeu que a política de concorrência, a política industrial, a inovação e o mercado único não podem ser tratados como debates separados, mas sim como peças de um mesmo “quebra-cabeça” que devem estar “razoavelmente alinhadas”.
Nesse sentido, ela justificou a revisão em andamento das diretrizes sobre fusões, não com o objetivo de “enfraquecer” o controle de concentrações, mas para adaptar a análise europeia a uma economia que mudou “profundamente” desde que o marco atual foi elaborado.
“Não se enganem. Não é porque queremos enfraquecer o controle das fusões, mas porque a economia mudou profundamente e precisamos aprimorar nossa análise”, afirmou.
Ribera defendeu, assim, uma abordagem “mais holística” que leve em conta elementos como ganhos de eficiência, inovação, incentivos ao investimento e resiliência, especialmente em setores estratégicos como telecomunicações, nuvem ou satélites.
MERCADOS DIGITAIS E SOBERANIA TECNOLÓGICA
Além disso, ela relacionou esse debate ao mercado único digital e alertou que a Europa não poderá competir globalmente enquanto continuar existindo “fragmentação interna”.
A vice-presidente alertou que a concentração de poder econômico, tecnológico e informativo nas mãos de poucas grandes empresas representa um desafio que vai além da concorrência e afeta também a “equidade”, a “coesão social”, a “democracia” e a “soberania”.
“A Europa não pode continuar próspera se se tornar tecnologicamente dependente. Não pode continuar segura se as tecnologias críticas forem controladas de fora. E não pode continuar soberana se não tiver capacidade para moldar os sistemas tecnológicos que, cada vez mais, definem nossas economias e sociedades”, destacou.
Nesse contexto, Ribera defendeu a aplicação da DMA e das normas tradicionais de concorrência para preservar mercados digitais abertos e garantir que a inovação continue ao alcance de todos, de modo que “os novos participantes possam desafiar os operadores estabelecidos” e que “o poder de mercado de ontem não determine os vencedores tecnológicos de amanhã”.
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