Jose Fernandez / Zuma Press / Europa Press
MADRID 19 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, agradeceu nesta sexta-feira a aprovação legislativa do crédito do Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de 1,9 bilhão de dólares (cerca de 1,65 bilhão de euros), o que permitirá “fortalecer” as reservas internacionais e estabilizar a economia nacional, conforme anunciou o presidente.
A lei, aprovada com o apoio de mais de dois terços dos votos em ambas as Casas, representa para o presidente boliviano um sinal “contundente de maturidade política, unidade e certeza econômica”.
“Esse apoio demonstra que, quando o bem-estar comum está em primeiro lugar, as diferenças ideológicas ficam em segundo plano. Esses recursos estão destinados a proteger nossas reservas e abrir oportunidades reais de investimento e emprego”, afirmou Paz por meio de suas redes sociais.
Além disso, Paz classificou esse decreto como um “passo histórico” para a economia nacional, especialmente para “cada agricultor, comerciante, trabalhador, industrial e empreendedor que, todos os dias, sustenta este país com seu esforço”.
Por sua vez, o ministro da Economia e Finanças Públicas, Christian Morales, defendeu perante o Senado que a injeção financeira faz parte do plano governamental para sanear as contas públicas, avançar rumo a um regime de maior flexibilidade e restaurar a confiança no acesso aos mercados internacionais de crédito.
Após concluir com sucesso sua tramitação nas duas câmaras, a lei aguarda a promulgação do presidente Paz para entrar em vigor.
A aprovação do decreto, concebido, segundo o Executivo, para fortalecer a economia e a estabilidade nacional, coincide com um cenário de acentuada instabilidade política. A medida ocorre após a Assembleia Legislativa ter ratificado a prorrogação do estado de exceção — em vigor desde 20 de junho passado, em decorrência da onda de protestos e bloqueios dirigidos contra o presidente —, cuja validade expirava nesta mesma sexta-feira.
O estado de exceção foi imposto no final do mês de junho passado, após semanas de bloqueios de estradas em todo o país promovidos por associações ligadas ao ex-presidente Evo Morales, que exigiam a renúncia de Paz pouco mais de meio ano após sua posse.
Durante os momentos mais críticos do protesto, foram registrados mais de cem bloqueios distribuídos por sete dos nove departamentos que compõem a Bolívia. Após várias tentativas frustradas de estabelecer um diálogo, finalmente, ao completar 50 dias de bloqueios, a Central Operária Boliviana (COB) e o governo chegaram a um acordo, em seguida, Paz decretou o estado de exceção para recorrer às Forças Armadas a fim de desmantelar esses bloqueios, que ainda eram mantidos, na época, por grupos camponeses e aliados de Morales.
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