Publicado 23/06/2026 09:28

O Parlamento Europeu abre caminho para o euro digital como alternativa de pagamento na Europa

Archivo - Arquivo - Fernando Navarrete, candidato da lista do Partido Popular para as eleições europeias, durante um debate sobre as eleições europeias de 9 de junho, no Auditori da UPF, em 22 de maio de 2024, em Barcelona, Catalunha (Espanha). Organizado
David Zorrakino - Europa Press - Arquivo

BRUXELAS 23 jun. (EUROPA PRESS) -

A Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira sua posição favorável ao euro digital, uma nova forma de dinheiro eletrônico emitida pelo Banco Central Europeu (BCE), com a qual a União Europeia pretende contar com uma alternativa própria para pagamentos eletrônicos e reduzir sua dependência de fornecedores não europeus, como a Visa ou a Mastercard.

O mandato aprovado pelos eurodeputados ainda deverá receber a aprovação do plenário do Parlamento Europeu antes do início das negociações com os Estados-membros sobre a legislação que regulamentará essa nova forma de dinheiro eletrônico, cuja eventual entrada em circulação dependerá, posteriormente, da decisão a ser tomada pelo BCE.

Os eurodeputados defendem que essa nova ferramenta de pagamento complemente o dinheiro em espécie e amplie as opções dos cidadãos; por isso, propõem que ela possa ser utilizada tanto com conexão à Internet (“online”) quanto sem ela (“offline”) e que seus serviços básicos sejam gratuitos.

“Com o pacote da moeda única, protegemos a liberdade dos cidadãos de escolher como pagar. Reforçamos o acesso ao dinheiro físico e sua aceitação, ao mesmo tempo em que disponibilizamos o dinheiro do banco central em formato digital. O euro digital complementará o dinheiro em espécie, nunca o substituirá. Ninguém deveria ser obrigado a abrir mão do dinheiro em espécie, e ninguém deveria ficar sem uma opção de pagamento digital segura, sólida e genuinamente europeia”, destacou o deputado do Partido Popular Fernando Navarrete, relator do relatório.

Especificamente, os pagamentos on-line seriam realizados por meio de um sistema baseado em contas, enquanto as transações off-line seriam executadas diretamente por meio de dispositivos de armazenamento local — uma modalidade com a qual a UE pretende garantir o funcionamento desse meio de pagamento mesmo em situações de interrupção da rede.

A proposta incorpora, além disso, salvaguardas específicas em matéria de privacidade para limitar o tratamento de dados pessoais ao estritamente necessário e garantir que o BCE não possa acessar informações que permitam identificar os usuários. As transações, conforme consta no texto, poderiam ser verificadas por meio de tecnologias que permitam validar as operações sem revelar dados pessoais.

Na prática, serão os bancos e outros prestadores de serviços de pagamento autorizados que se encarregarão de distribuir essa nova moeda entre os usuários, enquanto a maioria dos estabelecimentos comerciais será obrigada a aceitá-la, com exceções para os autônomos e as pequenas empresas que não aceitem outros meios de pagamento digitais.

GRATUITO PARA OS USUÁRIOS E COM LIMITES DE POSSE

Para os cidadãos, os serviços básicos associados a esse instrumento, entre eles a abertura de uma conta, a gestão de fundos ou o acesso a um meio de pagamento, seriam gratuitos; no entanto, os estabelecimentos comerciais poderiam arcar com determinadas comissões, embora o Parlamento Europeu exija que esses custos não excedam aqueles que já são suportados atualmente por outros meios eletrônicos.

O texto também estabelece limites para o montante que cada pessoa poderá manter nessa nova moeda, com o objetivo de preservar a estabilidade financeira e evitar que uma eventual transferência maciça de depósitos possa afetar o sistema bancário.

Esse limite seria fixado pela Comissão Europeia com base nas recomendações do BCE e revisado pelo menos a cada dois anos, enquanto as empresas não poderiam reter esses fundos de forma permanente, exceto para acumular pagamentos recebidos por um período máximo de 24 horas.

Além disso, essa nova forma de dinheiro não geraria juros nem teria custos associados à sua mera posse, uma das salvaguardas incluídas pelos eurodeputados para evitar que se torne um instrumento de poupança alternativo aos depósitos bancários.

Antes de uma eventual entrada em circulação, o Parlamento Europeu considera que o BCE deverá concluir o desenvolvimento técnico do sistema, realizar testes-piloto em condições reais e definir as normas de responsabilidade, com especial atenção aos riscos associados aos pagamentos offline.

Juntamente com o dossiê sobre o euro digital, a comissão parlamentar também apoiou outras duas propostas do chamado pacote sobre a moeda única, entre elas uma iniciativa destinada a reforçar o acesso e a aceitação do dinheiro físico, que obrigaria os países da zona do euro a garantir sua disponibilidade e a elaborar planos para eventuais interrupções nos pagamentos digitais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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