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MADRID 15 abr. (EUROPA PRESS) -
Os grandes bancos dos Estados Unidos demitiram cerca de 5.000 funcionários nos primeiros três meses do ano, ao mesmo tempo em que anunciaram resultados recordes com fortes aumentos em seu lucro líquido nos últimos dias.
O Wells Fargo lidera o ranking de demissões, com até 4.199 postos de trabalho a menos no primeiro trimestre, seguido pelo Citigroup, com 2.000, e pelo Bank of America (BofA), com 1.073 funcionários a menos. Por outro lado, o JPMorgan Chase e o Morgan Stanley aumentaram seu quadro de funcionários, conforme informou a agência 'Bloomberg'.
Os lucros líquidos dos principais bancos de Wall Street somam mais de 47,3 bilhões de dólares (cerca de 37,5 bilhões de euros) no primeiro trimestre, um período marcado por flutuações nos mercados em consequência do conflito no Oriente Médio, que impulsionaram as receitas provenientes de títulos de renda fixa e ações.
No centro dessas reduções está também a inteligência artificial (IA), que pode ter consequências significativas nos mercados de trabalho globais, conforme já alertaram organismos como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu ou o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos.
“Estamos aumentando nossos investimentos em áreas como tecnologia, incluindo IA, bem como em publicidade, ao mesmo tempo em que continuamos implementando nossas iniciativas de eficiência, o que resultou em 23 trimestres consecutivos de redução de pessoal”, declarou o CEO do Wells Fargo, Charlie Scharf.
A tendência dá continuidade à já observada no ano anterior, embora supere em muito o total de demissões no setor bancário do primeiro trimestre do ano passado, quando foram registradas 707 demissões. Vale ressaltar que as instituições bancárias costumam tomar esse tipo de decisão nos primeiros meses do ano, uma vez que coincide com o pagamento de bônus.
Nenhum dos bancos atribuiu diretamente a onda de demissões à IA, mas a maioria deles já implementou amplamente a inteligência artificial. Por exemplo, o Citigroup confirmou que 80% dos 224.000 funcionários da empresa utilizam ferramentas de IA, o que permite que suas equipes de negociação economizem cerca de 1.700 horas de trabalho por mês.
“A IA nos abre novas possibilidades. Ainda estamos nos estágios iniciais do que isso implicará. Mas já estamos vendo benefícios reais”, afirmou o CEO do Bank of America, Brian Moynihan, segundo informa a agência citada.
Os resultados trimestrais dos bancos foram divulgados dias depois que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o presidente do Fed, Jerome Powell, mantiveram reuniões com executivos dos principais bancos para discutir os riscos cibernéticos que o novo modelo de IA da Anthropic, Claude Mythos, pode representar.
“Não será um caminho fácil. Sempre que se acelera o desenvolvimento de novas tecnologias, surgem obstáculos, riscos e ajustes. Mas o potencial da tecnologia, a capacidade de utilizá-la em uma empresa para transformar processos, aumentar a eficiência e gerar maior capacidade de investir no crescimento, é algo que todos os CEOs reconhecem”, afirmou o CEO do Goldman Sachs, David Salomon.
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