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MADRID 15 set. (EUROPA PRESS) -
O consenso entre os analistas aponta que o Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed) fará um aumento de 25 pontos-base em sua reunião desta quarta-feira, diante dos dados persistentes de inflação no país norte-americano e com Kevin Warsh convicto de que é preciso manter os preços sob controle.
A taxa de inflação dos Estados Unidos voltou a ficar em 3,4% em agosto, o mesmo valor do mês anterior, não mostrando sinais de desaceleração. Além disso, a inflação tem se mantido acima da meta do Fed — de 2% — nos últimos cinco anos.
A guerra no Irã elevou os preços da energia e pressionou a taxa geral, enquanto o mercado de trabalho norte-americano continua mostrando sinais de solidez nos últimos meses. Diante dessa situação e levando em conta o duplo mandato do Fed — controle de preços e pleno emprego —, os mercados sustentam que o presidente do Fed, Kevin Warsh, não tem outra opção a não ser aumentar a taxa de juros de referência.
Warsh foi claro ao abordar, há poucas semanas, no simpósio de Jackson Hole, o tema da inflação, reconhecendo que a situação é “preocupante”, e, embora tenha destacado que os dados de inflação durante o verão foram melhores do que o esperado, “isso não me indica que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”. O guardião do dólar afirmou que o banco central tem “trabalho a fazer” enquanto a inflação continuar disparada.
Justamente, essa mudança no tom em relação ao controle da inflação, muito mais clara e severa, tem sido um dos fatores pelos quais os analistas não duvidam de um endurecimento da política monetária. “Depois de adotar uma postura mais restritiva em junho e, posteriormente, recuar na coletiva de imprensa do FOMC de julho, o presidente Warsh se viu pressionado a esclarecer a função de reação do Federal Reserve sob sua liderança em Jackson Hole”, afirmaram representantes do ING.
Em julho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) da Fed optou por manter as taxas de juros na faixa-alvo de 3,50% a 3,75%, de modo que se prevê que a faixa suba para 3,75% a 4%.
De fato, Jenny Zeng, diretora financeira de Renda Fixa da Allianz Global Investors, explicou que esse nível de taxas de juros ainda não significa um ambiente restritivo, ao mesmo tempo em que “as condições financeiras gerais continuam sendo flexíveis”. “Além disso, dentro do Comitê cresce o apoio a novos aumentos das taxas, algo que ficou evidente em julho, quando três membros emitiram votos dissidentes, defendendo uma postura mais agressiva”, acrescentou ela.
O FOMC rompeu sua unanimidade em sua última reunião, registrando 9 votos pela manutenção e 3 pela endurecimento da política monetária. Recentemente, Michael Barr, governador do banco central, já havia antecipado que apostaria em um aumento da taxa de referência caso a inflação continuasse em alta.
A situação no mercado de títulos dos EUA, que já abrange diversos mercados internacionais, com o rendimento do título de 10 anos atingindo nesta quinta-feira os maiores níveis desde 2007, também preocupa o Fed e inclina ainda mais a balança para um endurecimento monetário. No entanto, como o aumento já é dado como certo, os investidores permanecerão atentos à divulgação das projeções.
“O primeiro aumento das taxas em 1.148 dias já está amplamente precificado pelo mercado; portanto, a evolução dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA dependerá agora das projeções de inflação e das previsões para as taxas oficiais. Nossas previsões revisadas para o título de 10 anos situam-se abaixo das taxas ‘forward’, já que antecipamos um aperto monetário menor do que o descontado pelas taxas do mercado monetário”, argumentou Afonso Borges, analista de Renda Fixa do Julius Baer.
As projeções de inflação — “dot plot” — e os dados de inflação receberão a maior parte da atenção nesta quarta-feira, assim como as declarações de Warsh após a decisão sobre as taxas, enquanto os mercados já parecem antecipar outro aumento das taxas no futuro próximo, embora tudo dependa da evolução dos preços e dos conflitos geopolíticos.
“Agora, esperamos que o Federal Reserve aumente as taxas em 25 pontos-base em setembro, com a possibilidade de mais alguns aumentos no futuro. No entanto, se os dados de inflação continuarem melhorando, é possível que os aumentos adicionais nas taxas acabem não se concretizando”, afirmou Tiffany Wilding, economista da PIMCO.
CONFLITO COM TRUMP?
Um aumento nas taxas de juros colocará Kevin Warsh contra a parede apenas cinco meses após assumir o cargo de presidente do Fed, diante dos firmes apelos do presidente Trump para reduzir as taxas de juros — uma situação já vivida com seu antecessor no cargo, Jerome Powell.
“Reduzam as taxas de juros, pois os EUA têm um crédito muito mais sólido do que nos últimos tempos!”, exigiu o morador da Casa Branca há dez dias em uma mensagem nas redes sociais, na qual acrescentou posteriormente que, caso contrário, deixaria de negociar com os países com os quais os Estados Unidos têm déficit.
De fato, o presidente instou o banco central a impor a menor taxa de juros do mundo, “como nos velhos tempos”, e destacou que a instituição, com seu “novo e grande líder” — em referência a Warsh —, precisa “acordar”.
As exigências do presidente dos Estados Unidos para reduzir a taxa de referência tornaram-se a tônica geral de seu mandato, embora Trump parecesse ter moderado o tom após a posse de Warsh como presidente há poucos meses. Com essas novas exigências, o ocupante da Casa Branca aumenta a pressão sobre o “guardião do dólar”.
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