FREDERIC SIERAKOWSKI / EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 19 jun. (EUROPA PRESS) -
Os líderes da União Europeia encarregaram a Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, de explorar novas medidas de defesa comercial para proteger os interesses do bloco contra as práticas desleais de Pequim, embora tenham solicitado a manutenção de um “diálogo construtivo” com os parceiros econômicos, a fim de reduzir dependências e reforçar a autonomia estratégica da União.
Foi assim que se encerrou o primeiro dia da cúpula que reúne os chefes de Estado e de Governo europeus em Bruxelas e na qual os líderes deveriam analisar os “desequilíbrios macroeconômicos globais”, em uma referência velada às tensões com a China em relação à concorrência desleal e à superprodução, apesar das reservas de países como a Alemanha em mencionar formalmente o gigante asiático.
Diante da cautela de parceiros como a Alemanha ou a Espanha, que defendem o diálogo com Pequim para evitar uma guerra comercial, outro grupo cada vez maior de países, como França, Itália e Países Baixos, entre outros, clama por “novos mecanismos” mais contundentes e ágeis do que as ferramentas de que a UE já dispõe em matéria comercial — como contramedidas tarifárias ou o mecanismo anticompulsão.
A Espanha defende uma relação pragmática com Pequim e desconfia de posições duras que possam ter consequências devastadoras para a economia comunitária, segundo alertam na Moncloa. De fato, ao chegar a Bruxelas, Sánchez defendeu “estender pontes” em vez de criar tensões comerciais com “aliados em potencial”, como a China. “O que a Europa precisa são amigos”, afirmou, alertando que já há fragmentação e confrontos suficientes na política global.
Nesse contexto, e após um jantar de trabalho centrado nas tensões com a China, fontes europeias indicaram que os líderes concordaram com a necessidade de manter a “unidade” entre os 27 na política comercial e o “diálogo” com o exterior; sem deixar de lado o fato de que “a concorrência leal em nível mundial exige igualdade de condições”.
Por isso, os líderes solicitam à Comissão Europeia — que detém as competências do bloco em matéria de comércio exterior — que explore duas linhas de trabalho: uma voltada para avaliar possíveis novas medidas de defesa comercial e outra que busque um “diálogo que traga resultados” com outros “parceiros” econômicos.
Mais especificamente, eles encarregam Bruxelas de “desenvolver e, se for o caso, complementar o conjunto de ferramentas em matéria de defesa comercial e política industrial, para garantir que a União Europeia disponha de todos os instrumentos necessários para defender seus interesses e reduzir riscos”, conforme explicaram fontes europeias.
Quanto ao diálogo construtivo que os 27 buscam manter com os “principais parceiros econômicos”, os líderes exigem um “diálogo que deve produzir resultados” para defender os interesses econômicos e de segurança da União.
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