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Afirma que o Irã lavou 1,3 bilhão em transações petrolíferas por meio de criptomoedas
MADRID, 15 set. (EUROPA PRESS) -
O Ministério Público do Distrito Sul de Nova York e o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) entraram com uma ação para apreender 61 milhões de dólares (cerca de 53 milhões de euros) em criptomoedas provenientes de transações de petróleo iraniano por meio de dois compradores chineses que tinham como objetivo “financiar o governo do Irã”.
“Hoje apreendemos e solicitamos a confiscação de mais de 61 milhões de dólares do governo do Irã, que, de outra forma, teriam financiado ações militares hostis e ataques terroristas contra os Estados Unidos e nossos aliados”, afirmou o promotor adjunto do Distrito Sul de Nova York, Sean Buckley.
Especificamente, duas empresas chinesas, a Blessed Trust e a Hexa Whale, utilizaram contas de “trading” da operadora Binance, com sede nos Emirados Árabes Unidos (EAU), para lavar os lucros decorrentes da venda “ilegal” de petróleo de origem iraniana. Os recursos obtidos foram destinados a financiar “atividades terroristas” da República Islâmica, incluindo a Guarda Revolucionária do Irã.
As autoridades americanas estimaram em até 1,5 bilhão de dólares (1,3 bilhão de euros) a lavagem de lucros provenientes da venda de petróleo iraniano por meio de criptomoedas, processo no qual as empresas chinesas tiveram um papel fundamental.
“Conforme alegado na denúncia apresentada hoje, o governo do Irã utilizou uma rede de operadores de criptomoedas na China e em outros países para lavar mais de 1,5 bilhão de dólares provenientes do petróleo ilícito, destinados a beneficiar o exército iraniano e a Guarda Revolucionária Islâmica, designada como organização terrorista”, destacou Buckley.
“A denúncia apresentada hoje demonstra a capacidade do FBI de rastrear o dinheiro, desmantelar esquemas ilícitos e interromper o fluxo de criptomoedas para qualquer governo que tente burlar sanções ou cometer atividades terroristas. Ao cortar os recursos arrecadados por meio da venda ilegal de petróleo bruto, enfraquece-se o exército iraniano e os terroristas. O FBI não cejará em seu empenho de confiscar os recursos de atores estrangeiros perigosos”, afirmou o subdiretor responsável pelo FBI, James Barnacle.
Fontes internas do regime garantiram ao “Financial Times” que o Banco Central iraniano tem incentivado investidores e agentes comerciais a repatriar fundos para manter a economia do país à tona, incluindo o uso de criptomoedas para liquidar transações transfronteiriças por meio de plataformas iranianas de câmbio de criptomoedas.
Entre outras medidas, flexibilizaram as normas para permitir a câmbio no mercado iraniano, contornando as taxas de câmbio aprovadas pelo governo da República Islâmica, bem como utilizar as receitas de exportação para importar produtos diretamente, sem precisar canalizar seus lucros pelo sistema oficial de câmbio.
Ao mesmo tempo, o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, solicitou na cúpula do BRICS — bloco de países emergentes que engloba Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã e outros membros mais recentes, que os membros utilizem suas moedas nacionais para comercializar entre si, alertando sobre “choques” políticos em outras moedas, em clara referência ao sistema do dólar.
Tudo isso em uma tentativa de manter a economia iraniana em um momento em que os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva financeira contra a República Islâmica para estrangular sua base econômica. Vários bancos internacionais já foram alvo de sanções por suas supostas ligações com o Irã.
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