Publicado 05/05/2026 05:20

Os EUA são o principal destino do investimento espanhol e o maior investidor estrangeiro, segundo a AmChamSpain

Jaime Malet, presidente da AmChamSpain
AMCHAMSPAIN

O investimento direto acumulado em ambos os sentidos totaliza mais de 213 bilhões de euros, com mais de 340 mil empregos ligados a essa relação econômica

MADRID, 5 maio (EUROPA PRESS) -

Os Estados Unidos consolidam-se como o maior investidor estrangeiro na Espanha, com 116,094 bilhões de euros em investimento direto produtivo e cerca de 1.286 filiais que empregam 200.000 pessoas, o dobro do que há uma década. Ao mesmo tempo, com um estoque acumulado de 97,247 bilhões de euros, os Estados Unidos já são o principal destino do investimento espanhol no mundo, à frente de qualquer país europeu, e as empresas espanholas geram 143.500 empregos em 45 estados.

A primeira edição do “The Bridge Report 2026, Spain - U.S. Economic Relations”, publicada pela AmChamSpain, estima em mais de 213 bilhões de euros o investimento direto acumulado em ambos os sentidos e em mais de 340 mil os empregos ligados à relação econômica bilateral.

O relatório ressalta que não se trata de uma relação de dependência, mas de uma interdependência construída ao longo de décadas a partir de projetos industriais, energéticos, financeiros e tecnológicos de longo prazo.

O relatório destaca o salto qualitativo do investimento norte-americano em infraestrutura digital na Espanha, com compromissos superiores a 36,6 bilhões de euros em centros de dados e inteligência artificial para o período 2025-2030, concentrados em Aragão e Saragoça, a maior onda de investimento “greenfield” norte-americano registrada no país.

Esses projetos transformarão a Espanha em um dos principais hubs digitais europeus e atrairão novos investimentos em energias renováveis e redes elétricas para atender à demanda por energia livre de carbono.

Além do investimento direto, os Estados Unidos mantêm um estoque de investimentos em carteira na Espanha de 183,863 bilhões de dólares — cerca de 170 bilhões de euros —, um volume que supera em mais de 45% o estoque de investimentos produtivos e que reforça o peso dos grandes investidores institucionais norte-americanos na bolsa e na dívida espanhola.

Segundo a AmChamSpain, essa presença de capital financeiro contribui para baratear o financiamento de empresas e administrações, ao servir como sinal de confiança no mercado espanhol.

COMÉRCIO E ENERGIA

No plano comercial, a Espanha e os Estados Unidos trocaram bens e serviços por mais de 70 bilhões de euros em 2024, com um superávit espanhol de 10,57 bilhões em serviços — turismo, consultoria, tecnologia — que compensa quase totalmente o déficit em bens. A balança comercial é, assim, muito mais equilibrada do que refletem os números relativos às mercadorias, que apresentam um déficit crescente ligado principalmente às compras de energia.

Os Estados Unidos forneceram 31,2% do gás natural liquefeito (GNL) consumido pela Espanha em 2025 e já atingiram uma quota de 36,6% no primeiro trimestre de 2026, além de 15,2% do petróleo bruto importado, o que os consolida como o principal fornecedor de energia da Espanha.

Essa dependência do gás e do petróleo norte-americanos explica boa parte do desequilíbrio comercial em bens, mas, ao mesmo tempo, combina-se com uma forte presença de empresas energéticas espanholas em redes e energias renováveis nos Estados Unidos, configurando uma interdependência energética de caráter estratégico.

DIMENSÃO HUMANA

A relação econômica também se apoia em uma base humana crescente: 50.623 cidadãos norte-americanos estavam registrados na Espanha em 2024 e, nesse mesmo ano, foram concedidas 15.638 autorizações de residência, o que coloca a Espanha como o principal destino da União Europeia para os norte-americanos em número de autorizações.

O relatório atribui esse aumento à combinação de qualidade de vida, custos competitivos e acesso ao mercado único que a Espanha oferece, bem como ao crescimento dos nômades digitais e profissionais do setor tecnológico.

A AmChamSpain destaca o caráter estratégico desse vínculo em um contexto de tensões comerciais e debate sobre a autonomia europeia, e defende a manutenção do diálogo bilateral “com dados, não com manchetes”.

A organização, que agrupa mais de 240 empresas com um faturamento agregado de 240 bilhões de euros na Espanha, apresenta o “The Bridge Report” com o objetivo de se tornar uma referência anual para medir e gerenciar uma relação que considera “mais profunda, mais equilibrada e mais estratégica” do que sugerem as estatísticas convencionais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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