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BRUXELAS 26 maio (EUROPA PRESS) -
Os ministros da Agricultura da União Europeia concordaram nesta terça-feira com a necessidade de reforçar a autonomia estratégica europeia no setor de fertilizantes por meio de medidas “de curto, médio e longo prazo” para reduzir a dependência externa e conter o impacto da instabilidade geopolítica sobre os custos agrícolas e a segurança alimentar.
Durante o Conselho de Agricultura e Pesca realizado em Bruxelas, os Estados-Membros apoiaram a necessidade de combinar ajudas imediatas com reformas estruturais para fazer face à dependência externa, ao aumento dos custos energéticos e às perturbações nas cadeias de abastecimento, num contexto marcado pela instabilidade internacional e pelas tensões decorrentes do conflito no Oriente Médio.
“Houve um amplo reconhecimento da necessidade de reforçar a autonomia estratégica da UE em fertilizantes por meio de medidas coordenadas a curto, médio e longo prazo”, resumiu a ministra da Agricultura de Chipre, Maria Panayiotou, na coletiva de imprensa após a reunião dos ministros.
A presidência cipriota explicou que entre as prioridades identificadas pelos Vinte e Sete figuram a diversificação das importações, o reforço da produção europeia de fertilizantes, o impulso a alternativas sustentáveis e circulares e a promoção do uso de energias renováveis na produção, embora tenha insistido que qualquer transição deve ser acompanhada de soluções “práticas e realistas” para evitar uma pressão “insustentável” sobre os agricultores.
O comissário europeu para a Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, admitiu, por sua vez, que “não existe uma solução única” para a dependência externa e os elevados custos que o setor enfrenta atualmente, e defendeu a combinação de medidas imediatas com reformas de longo prazo para reforçar a resiliência europeia.
Hansen destacou ainda que a Comissão “deve agir rapidamente” para implementar apoio financeiro imediato aos agricultores e garantiu que Bruxelas estuda mobilizar mais recursos da reserva agrícola de crise, que poderiam até mesmo dobrar.
O comissário indicou que, apesar do contexto “altamente volátil” decorrente da situação geopolítica e do impacto sobre as cadeias internacionais de abastecimento, Bruxelas não detecta, por enquanto, riscos imediatos para o abastecimento de alimentos ou fertilizantes na UE.
Ainda assim, ele alertou que persiste a preocupação com o aumento dos custos de produção e defendeu a necessidade de garantir relações comerciais “mais estáveis e previsíveis” para o setor agroalimentar europeu.
ESPANHA PEDE MAIS AMBIÇÃO E FINANCIAMENTO
Nesse contexto, a Espanha reclamou maior ambição para o plano de ação sobre fertilizantes apresentado pela Comissão Europeia e alertou que o documento “fica aquém” devido à falta de financiamento e de um calendário claro para aplicar as medidas previstas.
Foi o que indicou a secretária-geral de Recursos Agrícolas e Segurança Alimentar, Ana Rodríguez, que participou da reunião em representação do ministro Luis Planas e destacou que o plano é “positivo e necessário” no atual contexto geopolítico, embora considere que carece de “financiamento e concretização”, uma avaliação na qual, segundo ela, outros Estados-membros concordaram.
Da mesma forma, a representante espanhola insistiu que o financiamento do plano europeu não deve ser feito em detrimento de outras ajudas da Política Agrícola Comum (PAC) e defendeu que a transição para alternativas mais sustentáveis seja acompanhada de garantias de viabilidade para o setor agrícola.
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