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Lagarde (BCE) prefere falar de “plano B” em vez de ruptura da ordem mundial e Georgieva (FMI) adverte que “já não estamos no Kansas” MADRID, 23 (EUROPA PRESS)
O mundo não voltará a ser como era antes das tensões comerciais desencadeadas com a introdução de tarifas globais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, para quem o sistema comercial internacional continua a funcionar, apesar de ter sofrido “a maior perturbação em 80 anos”.
“Não acredito que as coisas voltem ao normal”, admitiu a nigeriana durante um colóquio no Fórum Econômico Mundial, que termina nesta sexta-feira em Davos (Suíça), onde compartilhou o palco, entre outros, com Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), e Kristalina Georgieva, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A diretora da OMC defendeu que, embora seja provável que, diante da situação, os países busquem fortalecer-se a si mesmos e às suas regiões, por isso ela não espera que as coisas voltem a ser como eram antes, ela também não acredita que serão tão ruins e “talvez tenhamos uma situação estável ligeiramente melhor”.
Nesse sentido, ela destacou que alguns dos sistemas construídos nos últimos 80 anos “foram extraordinariamente bem construídos” e incorporam uma certa resiliência diante de todas as perturbações que estão ocorrendo.
No âmbito comercial, que sofreu “a maior perturbação em 80 anos” e as normas comerciais mundiais foram prejudicadas, Okonjo-Iweala considera que o sistema é bastante sólido e “será necessário muito para destruí-lo”, pelo que o comércio mundial continua a funcionar nos termos da OMC, embora isso não implique que o sistema não tenha problemas e que sejam necessárias reformas.
Assim, ela destacou a importância de “separar o ruído do que realmente está acontecendo” para avaliar corretamente a situação, apontando que a lição a ser aprendida é a necessidade de diversificação comercial para não depender excessivamente dos Estados Unidos ou da China. “Nossos membros devem diversificar seu comércio”, acrescentou. PLANO B
Sobre esta questão, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, discordou da abordagem do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ex-governador do Banco da Inglaterra, que esta semana afirmou em Davos que o mundo se encontra num processo de ruptura e não de transição, embora tenha reconhecido que se trata de uma situação em que é necessário considerar “um plano B ou planos B”.
“Acho que nós, responsáveis políticos, estamos num ponto em que devemos considerar um plano B ou planos B, mas, mesmo com esses planos B, não tenho a certeza de que devamos falar de ruptura, mas sim de alternativas”, comentou a banqueira central da zona euro.
Nesse sentido, embora reconheça que é necessário identificar muito mais e melhor as fraquezas e dependências, bem como a autonomia, Lagarde considera que, do ponto de vista econômico e empresarial, “dependemos uns dos outros”. “Temos laços muito fortes”, sublinhou, salientando a importância de explorar todas as direções e distinguir os sinais do ruído. “Temos que ser honestos com os números que usamos”, afirmou ao se referir aos números e expectativas.
“NÃO ESTAMOS NO KANSAS” Por sua vez, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, resumiu a situação resultante das tensões comerciais e das incertezas geradas com uma referência ao “Mágico de Oz”, ao afirmar que “já não estamos no Kansas”.
Dessa forma, ela destacou que o mundo atual é mais propenso a crises, com surpresas na geopolítica, na tecnologia e no clima, ao mesmo tempo em que é necessário admitir que vivemos em um mundo multipolar, no qual há regiões com uma importância econômica e geopolítica que antes não tinham. “Não estamos tão acostumados a um ambiente tão mutável”, observou. “O que quero dizer é: quantos de vocês já assistiram ao filme ‘O Mágico de Oz’? Muito simples. Não estamos mais no Kansas”, acrescentou.
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