Publicado 03/09/2025 10:22

MPA-Bruxelas oferece mais controle sobre o pacto do Mercosul e apoio aos agricultores para acelerar a ratificação

Archivo - HANDOUT - 01 de dezembro de 2023, Emirados Árabes Unidos, Dubai: O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (esq.) se reúne com o presidente francês Emmanuel Macron durante a abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climát
Ricardo Stuckert/Planalto /dpa - Arquivo

BRUXELAS 3 set. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia apresentou formalmente na quarta-feira os textos legais que precisam da aprovação dos 27 e do Parlamento Europeu para a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul; um pacto para o qual Bruxelas oferece maior controle sobre as salvaguardas que protegerão as produções européias mais sensíveis e fortalecerá os fundos de crise para os agricultores como medidas para convencer os mais relutantes, como a França (sem uma minoria de bloqueio).

Bruxelas tentou finalizar os documentos antes do recesso de verão para facilitar a ratificação antes do final de 2025 - um ano após o término das negociações e do acordo político - mas as reservas da França - seguida pela Polônia e pela Itália - e, ao mesmo tempo, a crise tarifária com os Estados Unidos colocaram a proposta em espera até agora.

No entanto, fontes da UE estão confiantes de que a ratificação pelos colegisladores europeus será "a mais rápida possível" e, assim, permitirá que a parte comercial do acordo entre em vigor "provisoriamente", sem ter que esperar pela ratificação do acordo global por cada estado membro individualmente, o que pode levar anos.

Por outro lado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também está confiante de que o acordo poderá ser assinado pelas partes ainda neste semestre, aproveitando o momento da presidência rotativa do Brasil no Mercosul.

Essa via dupla para a ratificação do Acordo de Associação entre a UE e o Mercosul permitiria que a parte comercial entrasse em vigor rapidamente se fosse aprovada pelo Conselho (por maioria qualificada dos governos) e pelo consentimento do Parlamento Europeu (por maioria simples do plenário).

No entanto, um grupo de eurodeputados da Esquerda Europeia e dos Verdes questionou essa abordagem e ameaçou contestar no Tribunal de Justiça da UE a base jurídica criada por Bruxelas para permitir essa divisão do processo de ratificação.

De qualquer forma, a Comissão Europeia e os países que defendem o acordo, como a Espanha e a Alemanha, argumentam que o novo acordo permitirá o estabelecimento da "maior área de livre comércio do mundo", uma vez que os mercados europeus, juntamente com os da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, somarão 700 milhões de consumidores.

De acordo com a chefe do executivo da UE, Ursula von der Leyen, após a assinatura do acordo político com o Cone Sul em dezembro passado, em Montevidéu, a nova estrutura economizará 4 bilhões de euros em tarifas para os exportadores europeus, por exemplo, com a eliminação progressiva dos atuais 35% aplicados aos carros europeus e outros que afetam máquinas e têxteis.

Os negociadores europeus foram "extremamente cautelosos" com relação a produtos europeus sensíveis, como açúcar ou carne bovina, de acordo com fontes da UE, que explicam que foram estabelecidos limites para cotas de isenção ou redução de tarifas, de 7,5% no caso da carne bovina, por exemplo, cuja taxa sobe para quase 50% fora dessa cota.

Bruxelas enfatiza que o acordo facilitará o investimento das empresas da UE nas principais cadeias de suprimentos, incluindo matérias-primas essenciais e produtos relacionados, sempre sob um "alto nível de proteção ambiental e trabalhista".

MECANISMO DE CONTROLE DE IMPORTAÇÃO

Para facilitar a ratificação pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu antes do final do ano, Bruxelas anunciou que também processará um ato legal esclarecendo o nível operacional das salvaguardas previstas pela UE para reagir a possíveis distorções resultantes da abertura dos mercados sob o novo pacto de livre comércio.

Essa iniciativa, que também precisará da aprovação da UE-27 e do Parlamento Europeu, estabelecerá um mecanismo para monitorar volumes, preços e participações de mercado nos países da UE e esclarecerá quando a Comissão poderá ativar medidas de controle específicas se detectar um aumento de 10% nas importações ou uma queda de 10% nos preços.

Esse elemento que completará o acordo, de acordo com fontes da UE, afeta apenas a UE, pois é seu próprio instrumento para monitorar o impacto do acordo e não requer consulta ou endosso dos países do Mercosul. O lado da UE também insiste que, após o acordo, a segurança e a saúde dos alimentos na UE continuarão a ser protegidas porque "nada que não tenha sido autorizado será autorizado".

Atenta às demandas dos agricultores, a Comissão Europeia também promete fornecer fundos específicos para responder a situações de crise que possam surgir no setor agroalimentar europeu.

Nesse sentido, o executivo da UE lembra que o novo quadro orçamentário incluirá uma "nova rede de segurança" dotada de 6,3 bilhões de euros que, na prática, dobrará a reserva agrícola da UE para proteger os agricultores em situações de crise ou incerteza geopolítica, incluindo a implementação do acordo com o Mercosul.

O acordo abrangente entre a UE e o Mercosul também inclui salvaguardas para garantir o compromisso das partes com a luta contra as mudanças climáticas e o desmatamento, em linha com o Acordo Climático de Paris e que o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, desafiou. O acordo também inclui capítulos sobre direitos humanos, combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro e gerenciamento de migração.

Além da proposta legal para a ratificação do acordo com o Mercosul, o Colégio de Comissários adotou outra proposta para solicitar ao Conselho e ao Parlamento Europeu que deem luz verde ao marco negociado com o México para modernizar a relação comercial bilateral, cujo acordo está mais de 25 anos desatualizado. Nesse caso, Bruxelas também espera uma ratificação rápida, embora em 2026.

A FRANÇA VÊ UM PASSO NA DIREÇÃO CERTA

O ministro do comércio da França, Laurent Saint-Martin, considerou a proposta um passo "na direção certa", pois inclui uma cláusula "reforçada" de salvaguardas para o setor agrícola, o que, na prática, aos olhos de Paris, permitirá "uma abertura ao mesmo tempo em que protege os setores mais sensíveis". O governo francês agora examinará o texto para garantir a "eficácia do mecanismo" projetado, concluiu.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, por sua vez, assumiu em uma coletiva de imprensa na quarta-feira que não há mais países que queiram se juntar à Polônia para formar uma "minoria de bloqueio" no Conselho, descartando assim a oposição da França; embora ele tenha afirmado que pressionará para garantir que, no caso de distorções graves, Bruxelas tome medidas e ative mecanismos de defesa para os agricultores poloneses.

Em uma breve declaração divulgada nas mídias sociais após o Colégio, Von der Leyen descreveu os dois acordos como "marcos" com os quais a UE "redobra seu compromisso com a diversificação", pois representam "novas parcerias" e "novas oportunidades". "Ouvimos atentamente nossos agricultores e estados-membros e demos a eles salvaguardas ainda mais fortes e juridicamente vinculantes", afirmou.

O Presidente do Conselho Europeu, António Costa, por sua vez, saudou o passo que marca o início do processo de ratificação e argumentou que a UE é "mais forte" quando fecha acordos "equilibrados" com seus parceiros. "A UE alcança todo o seu potencial quando construímos prosperidade tanto interna quanto internacionalmente", acrescentou ele em uma declaração publicada nas mídias sociais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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