BRUXELAS, 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu nesta sexta-feira que a Comissão Europeia adote uma posição “firme” para proteger os interesses econômicos da União Europeia diante dos desequilíbrios globais e das práticas que “distorcem os mercados”, embora mantendo um “diálogo construtivo” com os parceiros comerciais, em um debate marcado pelas tensões com a China.
“A Comissão terá que adotar uma posição firme na hora de defender nossos interesses, mantendo, ao mesmo tempo, um diálogo construtivo”, afirmou Merz em coletiva de imprensa ao término do Conselho Europeu realizado em Bruxelas, após uma discussão entre os líderes sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais, na qual as relações econômicas com a China e a necessidade de reforçar os instrumentos europeus de defesa comercial ocuparam um lugar de destaque.
Nesse contexto, o chanceler alemão destacou que a UE tem “peso no mundo” e deve utilizá-lo para defender seus interesses, embora tenha evitado um confronto direto com Pequim e insistido que a resposta europeia deve combinar firmeza e diálogo.
Merz observou que existe um amplo consenso entre os Estados de que devem se proteger “contra os desequilíbrios e as práticas comerciais que distorcem os mercados”, razão pela qual a UE “precisa dispor de instrumentos eficazes para defender efetivamente seus interesses em todo o mundo”.
BRUXELAS PREPARA NOVAS FERRAMENTAS
Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou que o Executivo comunitário trabalhará em novas ferramentas, entre elas um “instrumento de diversificação”, com o objetivo de ajudar as empresas europeias a reduzir riscos e diminuir dependências estratégicas.
“Como disse o presidente (do Conselho Europeu, António) Costa, a Comissão trabalhará em novos instrumentos, como um instrumento de diversificação”, indicou a conservadora alemã, que comemorou o fato de os líderes terem demonstrado um “claro apoio” a uma resposta europeia baseada na unidade entre os Estados-membros e no diálogo com a China, que, segundo ela ressaltou, “continua sendo crucial”.
A presidente da Comissão precisou ainda que esse novo instrumento não será direcionado contra nenhum país em particular, mas terá um caráter geral para apoiar as empresas em suas estratégias de redução de riscos. Em sua opinião, esse processo tem sido “muito lento” nos últimos anos, apesar de “os riscos serem visíveis” e exigirem uma reação mais rápida.
“O ideal seria não precisarmos utilizá-lo, para que as coisas mudem para melhor”, afirmou Von der Leyen, embora tenha alertado que a pressão atual obriga a União a se preparar melhor e a se dotar de novas ferramentas para reforçar sua resiliência econômica.
A chefe do Executivo comunitário garantiu que Bruxelas dará continuidade a esses trabalhos e que a questão continuará ocupando um lugar de destaque na agenda comum da UE, paralelamente ao debate sobre competitividade e sobre a necessidade de reduzir as dependências estratégicas do bloco.
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