BRUXELAS 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O chanceler alemão, Friedrich Merz, endureceu nesta sexta-feira a posição de Berlim nas negociações sobre o próximo orçamento plurianual da União Europeia, ao qualificar de “inaceitável” e “desequilibrado” o valor atualmente em discussão e exigir uma nova redução, depois que a Comissão Europeia propôs inicialmente um orçamento próximo a dois trilhões de euros e a última versão preliminar apresentada no Conselho o situou em torno de 1,7 trilhão.
“A proposta atual é, do nosso ponto de vista, inaceitável e desequilibrada. Espero que a próxima proposta seja inferior à atual”, afirmou Merz em coletiva de imprensa ao término do Conselho Europeu em Bruxelas, em referência ao futuro Quadro Financeiro Plurianual (QFP, na sigla em inglês) para o período de 2028 a 2034, cuja negociação foi o foco de parte da reunião dos líderes e já ocupa boa parte da agenda europeia dos próximos meses.
O líder alemão insistiu que Berlim deseja chegar a um acordo antes do final de 2026 — conforme previsto inicialmente — para garantir segurança jurídica e orçamentária a partir de 2028, embora tenha deixado claro que isso não pode se traduzir em um aumento descontrolado dos gastos. “Queremos um orçamento que atenda às prioridades da Europa, mas que também seja sustentável”, afirmou.
As declarações de Merz vêm depois que os chefes de Estado e de Governo da UE decidiram acelerar os trabalhos sobre novos recursos próprios — sem definir quais — para financiar o futuro orçamento e encarregaram a Irlanda, que assumirá a presidência semestral do Conselho da UE a partir de julho, a tarefa de impulsionar as negociações durante o segundo semestre do ano.
O objetivo é que Dublin apresente uma nova proposta de compromisso antes da cúpula europeia de outubro, que permita aproximar as posições em uma negociação ainda marcada por profundas divergências tanto sobre o volume total do orçamento quanto sobre a forma de financiar as novas prioridades da União.
O chanceler voltou a rejeitar, além disso, a possibilidade de recorrer a uma nova dívida comum europeia, uma posição que compartilha com outros parceiros do bloco, como os Países Baixos, a Suécia ou a Áustria, e que entra em conflito com a visão de outros Estados-membros, como a Espanha, França ou Itália, defensores de um orçamento mais ambicioso para enfrentar tanto as novas prioridades da União — desde a segurança e a defesa até a competitividade — quanto a Política Agrícola Comum (PAC) e os fundos de coesão.
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