Publicado 23/07/2026 23:26

Lula acusa os EUA de “manipular uma questão fundamental” para justificar sua política de tarifas

As novas tarifas anunciadas pelo governo Trump incluem uma alíquota de 12,5% para os produtos brasileiros, após a imposição de 25% na semana passada

BRASÍLIA, 23 de julho de 2026  -- O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (1º à esquerda) participa da cerimônia de assinatura do projeto de lei que destina recursos para linhas de crédito em Brasília, Brasil, em 22 de julho de 2026. Lula anunci
Europa Press/Contacto/Lucio Tavora

MADRI, 24 jul. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitou nesta quinta-feira a imposição de tarifas a 60 países pelos Estados Unidos, acusando o governo de Donald Trump de “manipular uma questão fundamental para os Direitos Humanos e a luta dos trabalhadores em todo o mundo” diante da justificativa apresentada por Washington poucas horas antes do vencimento da tarifa global temporária de 10% anteriormente imposta: punir as economias que não tenham proibido os bens produzidos com trabalho forçado.

“Diante da falta de uma base jurídica interna que respalde sua política comercial protecionista, o gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês; Jamieson Greer) optou por manipular uma questão fundamental para os Direitos Humanos e a luta dos trabalhadores em todo o mundo, acusando 59 países e a União Europeia de práticas desleais”, declarou o presidente brasileiro nas redes sociais.

Em nome de seu país, Lula, que afirmou que seu governo “rejeita a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros”, ressaltou, como já havia feito em ocasiões anteriores, que “durante toda a investigação (do USTR sobre o Brasil) o Ministério do Trabalho forneceu explicações e ampla documentação sobre a legislação brasileira e as ações de nossas autoridades aduaneiras para coibir as importações de bens produzidos com trabalho forçado”.

“Criminalizamos não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas também jornadas de trabalho exaustivas, condições de trabalho degradantes e restrições à liberdade de movimento. Exigimos que empresas e indivíduos assumam responsabilidades, aplicando multas severas, e mantemos uma ‘Lista Negra’ de empregadores”, destacou ele sobre as medidas tomadas por Brasília nessa área.

Além disso, destacou que “o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por seu firme compromisso na luta contra o trabalho forçado”, lembrando que “o Brasil ratificou os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado”, enquanto “os Estados Unidos ratificaram apenas um”.

“Somos signatários de 66 convenções da OIT em vigor. Enquanto isso, os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e nos impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas convenções”, acrescentou o chefe do Planalto.

Nesse sentido, ele observou que “os acordos de livre comércio assinados pelo Brasil e pelo Mercosul, incluindo os firmados com o Chile, a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos para eliminar o trabalho forçado e obrigatório e para fazer cumprir efetivamente essas proibições”.

Por isso, “dada a natureza totalmente arbitrária e injustificada das tarifas anunciadas contra o Brasil, daremos início imediatamente aos procedimentos para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos a questão ao mecanismo de resolução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

A reação de Lula ocorre depois que o governo Trump anunciou a imposição de tarifas a 60 países, enquadrando a medida como uma punição às economias que não proibiram os bens produzidos com trabalho forçado, embora venha a substituir a tarifa global temporária de 10% imposta por seu governo durante 150 dias, que expira à meia-noite nos Estados Unidos (horário da Costa Leste), às 6h na Espanha.

No caso específico do Brasil, os governos de Trump e Lula já protagonizaram, na semana passada, uma acirrada troca de acusações depois que o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, anunciasse a imposição de uma tarifa de 25% sobre “a maioria” das importações brasileiras, alegando como motivo dessa decisão a falta de “boa-fé” de Brasília na hora de negociar com Washington.

Na ocasião, um dos principais motivos invocados por Washington foi a proteção oferecida pelas autoridades brasileiras ao serviço de pagamentos eletrônicos Pix, impulsionado pelo Banco do Brasil, que, segundo a Casa Branca, “prejudicou injustamente” fornecedores norte-americanos.

Também incluía críticas por “punir empresas de tecnologia americanas por se recusarem a censurar o discurso político”, em alusão velada à multa imposta à rede social X, de propriedade do magnata sul-africano Elon Musk, por não cumprir a ordem de excluir perfis de pessoas investigadas por publicarem mensagens consideradas antidemocráticas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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