Ana López García - Europa Press - Arquivo
BRUXELAS 19 jun. (EUROPA PRESS) -
Os líderes europeus encaram nesta sexta-feira o primeiro debate político sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual (MFF, na sigla em inglês) para o período de 2028 a 2034, com posições ainda muito distantes entre os países que defendem um orçamento mais austero e aqueles que exigem mais ambição para financiar as novas prioridades da União sem colocar em risco as políticas tradicionais de coesão e agricultura.
Embora a discussão no Conselho Europeu ainda não resulte em decisões concretas, ela servirá para avaliar a distância entre os chamados países frugais —como Suécia, Alemanha, Países Baixos ou Áustria— e o grupo dos chamados “Amigos da Coesão”, do qual fazem parte Espanha, Itália, Portugal, Polônia ou Romênia, entre outros, em negociações que os líderes esperam concluir antes do final deste ano.
O debate ocorre apenas uma semana depois que a presidência cipriota do Conselho apresentou uma primeira proposta de compromisso sobre o Quadro Financeiro Plurianual (QFP), um texto que, em linhas gerais, mantém os interesses apresentados pela Comissão e que suscitou críticas tanto daqueles que o consideram ambicioso demais quanto daqueles que acreditam que ele não dá resposta suficiente às novas prioridades da União.
“A proposta que está sobre a mesa é claramente muito elevada. Os valores precisam ser reduzidos”, afirmou, ao chegar à cúpula, o chanceler alemão, Friedrich Merz, que insistiu que a União Europeia “só pode gastar o dinheiro que tem” e voltou a rejeitar o recurso a um maior endividamento comum. “Não podemos nos dar ao luxo disso”, insistiu.
“A posição alemã aqui é muito clara. Eu também a compartilho com toda uma série de outros parceiros. Não somos maioria, mas precisamos chegar a um resultado unânime. Por isso, presumo que hoje discutiremos esse tema tão controverso no espírito da boa cooperação europeia”, acrescentou.
A Holanda também se alinhou a essa posição, embora enfatizando a necessidade de adaptar as contas europeias às novas prioridades estratégicas.
“Se queremos construir uma economia para as próximas décadas, não podemos fazê-lo com um orçamento elaborado na década de 1990”, defendeu o primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, para quem as futuras contas devem se concentrar em “segurança, maior competitividade e um orçamento que se adapte a essas modernizações”.
Em contrapartida, um amplo grupo de Estados-membros reivindica um orçamento mais ambicioso e adverte que as novas prioridades da União, como a segurança ou a defesa, não podem ser financiadas em detrimento de políticas tradicionais, como a Política Agrícola Comum (PAC) ou os fundos de coesão.
“A questão fundamental é que alguns consideram que o orçamento já é excessivamente elevado, mesmo após os cortes introduzidos pela presidência cipriota no âmbito das negociações, enquanto outros setores também reivindicam mais recursos. Portanto, será muito complicado resolver a questão essencial: qual deve ser o tamanho do orçamento e se ele será suficiente para atender a todas as demandas”, destacou o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, cujo país assumirá a presidência rotativa do Conselho da UE no segundo semestre deste ano.
No entanto, ele lembrou que “os dois pilares fundamentais” dos orçamentos anteriores, a PAC e os fundos de coesão, “continuam muito presentes na mente de muitos Estados-membros”, por isso defendeu a possibilidade de se chegar a um acordo que permita manter essas políticas e, ao mesmo tempo, responder aos novos desafios da União.
Justamente para reforçar essa posição comum, os líderes do grupo dos chamados ‘Amigos da Coesão’ realizaram nesta quinta-feira uma reunião à margem do Conselho Europeu, na qual se uniram para manter uma estratégia coordenada ao longo de toda a negociação e aumentar seu peso político em um debate que consideram decisivo para o futuro da União.
“Ontem tivemos a reunião dos Amigos da Coesão. São 16 Estados-membros que desejam agir de forma conjunta no quadro financeiro plurianual”, explicou, ao chegar à reunião, o primeiro-ministro tcheco Andrej Babis, que destacou a coordenação alcançada entre os membros do grupo e garantiu que continuarão agindo de forma conjunta em negociações que, segundo ele mesmo admite, serão “longas e complicadas”.
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