MADRID 9 jul. (EUROPA PRESS) -
O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, advertiu na quarta-feira que a incerteza que pesa atualmente no cenário internacional transcende a guerra comercial aberta por Donald Trump, já que as barreiras não tarifárias ou os gastos militares estariam ganhando maior destaque.
"Essa incerteza vai além do surgimento de novos regimes tarifários e inclui [...] barreiras não tarifárias, maior vinculação das políticas econômicas e de defesa, bem como possíveis mudanças no tratamento das carteiras de investidores estrangeiros e do investimento estrangeiro direto", explicou ele durante um discurso em Bruxelas.
Lane argumentou que essa mudança de paradigma reafirma a necessidade de o BCE manter uma abordagem "dependente de dados" e "reunião por reunião" para definir as taxas de juros. Em vista disso, o BCE deve evitar "comprometer-se antecipadamente com qualquer trajetória específica das taxas".
"Além de observar como a atividade e a inflação de fato se comportam, a dependência dos dados também se estende aos dados recebidos sobre as configurações de políticas não monetárias, já que as mudanças nas políticas domésticas e internacionais são altamente relevantes para a dinâmica futura da inflação", explicou.
O "guardião do euro" lembrou que o BCE tem "instrumentos não convencionais" além da fixação do preço do dinheiro, como operações de refinanciamento de longo prazo ou compras de ativos, caso as taxas efetivas caiam muito ou a transmissão da política monetária esteja ameaçada.
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