Publicado 22/06/2026 11:32

Lagarde não considera necessária uma resposta “mais contundente” do BCE aos efeitos da guerra no Oriente Médio

Ela defende que o recente aumento das taxas de juros foi uma decisão “sólida” em todos os cenários considerados pela instituição

11 de junho de 2026, Hesse, Frankfurt am Main: A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, discursa durante uma coletiva de imprensa após uma reunião do Conselho do BCE em Frankfurt am Main. Foto: Matias Basualdo/ZUMA Press Wire/dpa
Matias Basualdo/ZUMA Press Wire/ DPA

BRUXELAS, 22 jun. (EUROPA PRESS) -

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira que a instituição não vê, por enquanto, riscos de inflação nem efeitos indiretos decorrentes da guerra no Oriente Médio que justifiquem uma resposta monetária “mais contundente”, embora tenha insistido que o órgão manterá uma vigilância “muito rigorosa” sobre a evolução da situação e agirá com base nos dados.

“O impacto é grande demais e não podemos ignorá-lo, pois poderíamos colocar em risco nosso objetivo, mas ainda não vemos expectativas de inflação nem efeitos de segunda ordem que justifiquem uma resposta de política monetária mais contundente”, afirmou Lagarde durante sua audiência perante a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

A presidente do BCE defendeu, assim, a decisão adotada no início deste mês pelo Conselho do BCE de elevar as três taxas de juros oficiais em 25 pontos-base, o primeiro aumento desde setembro de 2023, diante do aumento das pressões inflacionárias decorrentes do conflito no Oriente Médio e do encarecimento da energia.

“Com essa decisão, estamos bem posicionados para enfrentar a incerteza gerada pela guerra e vamos acompanhar de perto a evolução da situação”, afirmou Lagarde, que insistiu que o BCE não está “antecipando nenhuma trajetória específica das taxas de juros” e manterá uma abordagem baseada nos dados.

Nesse sentido, ela explicou que a instituição trabalha com três cenários alternativos sobre a evolução do conflito e seus efeitos sobre a economia e a inflação, mas ressaltou que, em todos eles, “o aumento das taxas se justificava”.

Lagarde alertou que as perspectivas econômicas continuam marcadas por uma elevada incerteza, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento. Assim, as projeções do Eurosistema apontam para uma inflação de 3% em 2026, de 2,3% em 2027 e de 2% em 2028, enquanto o crescimento do PIB da zona do euro se moderará para 0,8% neste ano, antes de se recuperar para 1,3% em 2027 e 1,5% em 2028.

A presidente do BCE atribuiu grande parte dessas tensões ao aumento dos preços da energia, cujos preços — segundo ela — subiram cerca de 10% em abril e maio. Além disso, a taxa subjacente, que exclui energia e alimentos, situou-se recentemente em 2,6%, enquanto as expectativas de curto prazo sobre a evolução dos preços já superam os níveis anteriores ao início da guerra no Oriente Médio.

No entanto, ela defendeu que o episódio atual difere daquele vivido após a pandemia e a invasão russa da Ucrânia, quando — segundo explica — a economia era sustentada por políticas monetárias e fiscais distintas.

“Quando esse choque ocorreu, a inflação estava mais próxima da meta e as políticas monetárias e orçamentárias já não eram de caráter acomodatício”, explicou ela, apontando que a transmissão das tensões energéticas para o conjunto da economia poderia ser “mais limitada”, embora “os riscos persistam”.

De qualquer forma, Lagarde alertou que o BCE não pode “baixar a guarda” após o episódio inflacionário de 2022 e 2023, já que empresas e trabalhadores poderiam reagir com maior sensibilidade a novas perturbações.

No entanto, ela ressaltou que a política monetária tem limites para lidar com esse tipo de crise e defendeu o fortalecimento da resiliência europeia, especialmente no setor energético.

“A política monetária não pode neutralizar completamente o impacto de tais perturbações. Será essencial reduzir a vulnerabilidade da zona do euro diante de perturbações externas na oferta”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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