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MADRID 24 ago. (EUROPA PRESS) -
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, destacou a contribuição da imigração para a força do mercado de trabalho da zona do euro, dando como exemplos a Alemanha e a Espanha, e defendeu a independência dos bancos centrais em uma referência velada ao conflito aberto entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Federal Reserve (Fed).
"O forte desempenho do PIB da Espanha após a pandemia, que ajudou a sustentar o agregado da zona do euro, também se deve em grande parte à contribuição da mão de obra estrangeira", explicou, observando que o PIB alemão seria 6% menor a partir de 2019 sem a contribuição dos trabalhadores estrangeiros.
Falando no simpósio de Jackson Hole no sábado, Lagarde observou que os trabalhadores estrangeiros contribuíram com metade do crescimento do emprego nos últimos três anos e destacou a aparente força do emprego na Europa e nos Estados Unidos, apesar do aumento acentuado das taxas do banco central para controlar a inflação.
"Era razoável imaginar que um ajuste tão acentuado nas taxas de juros poderia levar a um aumento do desemprego. Entretanto, o aumento dos preços desacelerou abruptamente a um custo surpreendentemente baixo em termos de emprego. Na zona do euro, o crescimento do emprego foi significativamente maior do que os padrões históricos previam", explicou ele.
A esse respeito, ele disse que, nos últimos anos, a zona do euro tem demonstrado uma flexibilidade cada vez maior da mão de obra, com ganhos de emprego maiores do que o esperado e um impacto limitado sobre o PIB.
Lagarde destacou que os trabalhadores estrangeiros, que representavam apenas 9% da força de trabalho em 2022, foram responsáveis por quase metade do crescimento do emprego nos últimos três anos.
INDEPENDÊNCIA DO BANCO CENTRAL
Por outro lado, e em trechos de uma entrevista com a divisão de negócios da rede americana Fox que será transmitida na íntegra na segunda-feira, sem abordar diretamente o conflito aberto entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Fed, ela quis enfatizar que "a independência de qualquer banco central é de importância crucial".
A presidente do BCE também abordou questões como a importância das mudanças climáticas e a situação atual dos fundos russos congelados devido à guerra na Ucrânia.
A esse respeito, Lagarde insistiu, como já fez em várias ocasiões, que o conceito de "risco de mudança climática" deve ser levado em consideração "pelos bancos centrais em seu papel de supervisores bancários" e lamentou que, a esse respeito, o Federal Reserve (Fed) dos EUA nunca tenha se decidido sobre o assunto.
Com relação ao uso dos ativos russos para reconstruir a Ucrânia em um futuro pós-guerra, Lagarde explicou que "não cabe" ao seu gabinete ordenar sua execução, antes de indicar que a Europa, neste momento, considera prioritário que os ativos permaneçam congelados e que os juros gerados por eles sejam usados para apoiar as autoridades ucranianas agora.
"Os europeus estão financiando uma grande parte do apoio à Ucrânia, e é nosso trabalho defender a democracia", disse ele.
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