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MADRID 1 jun. (EUROPA PRESS) -
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos até maio passado e atual membro do Conselho de Governadores da instituição, defendeu a importância de preservar a independência do órgão, afirmando que o banco central norte-americano passou por um teste de estresse.
“Assim como muitas outras instituições, a Reserva Federal passou por um teste de estresse”, comentou Powell durante um evento em Boston, onde lembrou que a tomada de decisões de política monetária do banco central americano, assim como nas demais economias avançadas, está protegida da pressão política.
Assim, apesar das complexidades da estrutura federal dos Estados Unidos, Powell lembrou que os governadores da Reserva Federal e os presidentes dos bancos que fazem parte da Fed ocupam seus cargos com proteção legal contra a destituição e que a duração de seus mandatos é independente do ciclo eleitoral presidencial de quatro anos.
Além disso, ele lembrou que os governos não intervêm na seleção nem na supervisão dos 12 presidentes dos bancos da Reserva Federal.
“Essas garantias têm beneficiado o público, e os governos de ambos os partidos as têm respeitado”, destacou o ex-banqueiro central dos EUA, para quem, se algum governo encontrar uma maneira de destituir funcionários da Reserva Federal por diferenças políticas, os futuros governos farão o mesmo.
Nesse cenário, para Powell, o público perderia a confiança de que o banco central tomará decisões baseadas exclusivamente no que for melhor para todos os americanos e “a credibilidade da Reserva Federal ficaria comprometida”.
Após o término do mandato de Jerome Powell como presidente do Fed, no último dia 22 de maio, Kevin Warsh tomou posse como seu sucessor, em uma cerimônia presidida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que exigiu que seu desempenho fosse “totalmente independente”.
“Quero que Kevin seja totalmente independente. Quero que ele seja independente e que simplesmente faça um excelente trabalho. Não olhe para mim. Não olhe para ninguém. Simplesmente faça o seu trabalho e faça um excelente trabalho”, comentou o morador da Casa Branca na cerimônia de posse.
Nesse sentido, durante um evento realizado na semana passada, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu a importância da credibilidade dos bancos centrais diante de uma nova ordem mundial que implica decisões difíceis de política monetária, alertando que defender a independência das instituições não depende exclusivamente delas, como reflete a situação com o Fed dos Estados Unidos, uma questão que ainda não foi resolvida.
No caso do banco central norte-americano, sob pressão desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, a francesa destacou que a capacidade do então presidente do Fed, Jerome Powell, de defender publicamente a independência da instituição e conter as pressões políticas se deveu ao apoio público acumulado ao longo dos anos graças à tomada de decisões independentes.
“A questão não está encerrada, mas podemos ver claramente o mecanismo em jogo: quando há credibilidade, a defesa da independência não recai apenas sobre os ombros do banco central”, disse Lagarde.
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