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MADRID, 3 jul. (EUROPA PRESS) -
O senador e pré-candidato de extrema direita à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, enviou ao governo dos Estados Unidos um documento que oferece ao governo de Donald Trump vantagens comerciais, como a redução de impostos para empresas de cartões de crédito e o compromisso de que o sistema de pagamentos Pix não seja vinculado a outros “não ocidentais”.
O gabinete do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) um dossiê no qual defende o sistema de pagamentos eletrônicos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, como um marco do governo de seu pai, conforme noticiado pelo jornal brasileiro “Folha”.
Ao mesmo tempo, ele negou que o referido sistema crie um conflito de interesses, como observou o governo Trump, comparando o Pix à ferramenta de pagamento FedNow do Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed).
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro propôs um “compromisso legislativo” para que o Pix não se vincule a sistemas de pagamento transfronteiriços “não ocidentais”, aludindo assim à China. Atualmente, o sistema de pagamentos instantâneos não processa transferências internacionais, e o documento não esclarece como essa restrição aos sistemas estrangeiros funcionaria.
Além disso, propôs reduzir a “carga regulatória e tributária” sobre os cartões de crédito, um mercado dominado pelas empresas americanas Visa e Mastercard, alegando que tal carga “freia a concorrência em vez de estimulá-la”. “Reduzir essa carga (...) ampliaria as opções dos consumidores, diminuiria o custo das transações voluntárias e apoiaria o crescimento econômico”, afirma o documento em questão.
A Casa Branca já manifestou reclamações em várias ocasiões sobre o Pix, alegando que ele prejudica injustamente empresas financeiras e de tecnologia americanas, como a Visa e a Apple — premissa que constituiu um dos argumentos para sustentar a investigação comercial de Washington contra Brasília.
PROPÕE QUE O BRASIL “SE LIBERTE DAS AMARRAS” DO MERCOSUL
Por outro lado, o senador de extrema direita também propôs uma “busca enérgica” por acordos comerciais que aumentem o comércio e o investimento entre os dois países.
Nesse sentido, ele levantou a possibilidade de o Brasil “se libertar das amarras” do Mercosul, diante das restrições do bloco comercial às negociações bilaterais.
Flávio retoma, assim, uma estratégia já impulsionada anteriormente pelo atual presidente da Argentina, Javier Milei, e se configura como herdeiro da retórica crítica de seu pai, Jair Bolsonaro, que também promoveu, durante seu mandato (2019-2023), uma agenda contrária à da aliança.
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