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Insiste em tributar os lucros extraordinários do setor para equilibrar o impacto entre consumidores e indústria
BRUXELAS, 13 maio (EUROPA PRESS) -
A ministra espanhola da Transição Ecológica e Desafio Demográfico, Sara Aagesen, defendeu nesta quarta-feira que a União Europeia deve agir de forma “mais rápida” e “mais ambiciosa” para acelerar a transição energética diante da nova crise decorrente da guerra no Oriente Médio, apostando na eletrificação, nas energias renováveis e nas redes que permitam reduzir a exposição europeia à volatilidade dos combustíveis fósseis.
“Temos de estar mais bem preparados para futuras crises. A realidade é que a autonomia, a segurança e a prosperidade de nossos cidadãos, de nossa economia e de nossas indústrias devem basear-se em recursos próprios. Por isso, nosso apoio deve ser muito claro à eletrificação, às energias renováveis e às redes”, afirmou a ministra antes do início do Conselho Informal de Energia da UE em Nicósia (Chipre).
Aagesen destacou que a Europa volta a enfrentar uma “guerra dos combustíveis fósseis” que afeta todo o continente, pelo que uma parte importante das discussões da reunião se centrará em como lidar com essa situação e de que forma o bloco pode responder.
“Temos experiência desde 2022. Agora temos experiência com o que estamos enfrentando neste momento com a guerra no Irã. Precisamos nos preparar mais rapidamente. Temos que fazer algo mais ambicioso e mais rápido em nível europeu. Por isso, na Espanha, nosso principal objetivo é acelerar a transição energética. Acho que temos que colocar todos os elementos sobre a mesa agora”, enfatizou.
MAIOR MARGEM FISCAL E IMPOSTO SOBRE AS EMPRESAS DE ENERGIA
Entre as propostas apresentadas pela Espanha, a ministra defendeu a criação de novos fundos europeus para acelerar investimentos em eletrificação, energias renováveis e redes elétricas, bem como conceder maior margem fiscal aos Estados-membros para impulsionar esse tipo de projeto e flexibilizar, entre seis e doze meses, o prazo de execução dos fundos europeus de recuperação destinados à transição energética.
Aagesen também insistiu na necessidade de uma resposta comum europeia diante dos possíveis lucros extraordinários das empresas de energia decorrentes da atual crise geopolítica, que permita encontrar um “equilíbrio” entre as empresas e os consumidores e indústrias afetados pelo aumento do preço da energia.
“Queremos abordar esses lucros. Acho que é uma boa proposta. Precisamos de uma abordagem equilibrada entre os consumidores e as indústrias, que estão sofrendo com esta crise, e as empresas que provavelmente estão obtendo um lucro extra nesta situação atual”, acrescentou.
Da mesma forma, ele defendeu que a resposta deve ser articulada de forma coordenada a nível europeu e não se limitar apenas às refinarias dentro da União Europeia, mas incluir também as explorações petrolíferas fora do bloco comunitário que, segundo ele, também estão obtendo lucros adicionais no atual contexto de crise.
Outro dos temas do Conselho será o armazenamento de energia e sua integração nos mercados. Nesse ponto, Aagesen destacou que a Espanha tem uma meta de 22,5 gigawatts de armazenamento até 2030 e adiantou que apresentará “em breve” uma meta de flexibilidade em linha com as diretrizes europeias.
Aagesen defendeu ainda que a Espanha se encontra em uma situação “mais positiva” do que outros parceiros europeus devido à política energética aplicada desde 2018, baseada em um mix cada vez mais renovável.
Conforme explicou, desde então a potência eólica e solar cresceu 150% na Espanha, o que permitiu reduzir o peso do gás na fixação do preço da eletricidade. “Em 2018, 75% das horas eram marcadas pelo gás. Em 2026, no que vai do ano, é menos de 10%”, destacou.
A ministra afirmou que essa evolução se traduz em preços de energia elétrica “competitivos” para os cidadãos e para a indústria, e defendeu que a agenda de transição energética é a aposta da Espanha.
Ela também destacou a capacidade de refino e de importação de gás do país, com oito refinarias, usinas de regaseificação e conexões por gasoduto, o que, segundo ela, permite à Espanha integrar diferentes produtos, processá-los e maximizar, por exemplo, a produção de querosene em um momento em que outros parceiros europeus enfrentam “tensões adicionais”.
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