Publicado 29/04/2026 12:36

Costa considera inaceitável que os jovens tenham de dedicar décadas de seu salário para conseguir comprar uma casa na UE

Archivo - Arquivo - O presidente do Conselho Europeu, António Costa, concede entrevista a jornalistas da European Newsroom (ENR).
MARKUS LENHARDT - Arquivo

BRUXELAS 29 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertou nesta quarta-feira que a União Europeia “não pode aceitar” que, em alguns Estados-Membros, os jovens tenham de destinar 100% do seu salário durante “20 ou 30 anos, ou até mais” para poderem comprar sua primeira casa.

Ele destacou isso durante sua intervenção na sessão plenária do Comitê Econômico e Social Europeu (CESE), na qual defendeu que a moradia acessível é “fundamental para a coesão social e a equidade” e apontou a escassez de moradias como “um elemento-chave” da crise do custo de vida.

“Não podemos aceitar que, em alguns países da União Europeia (...), os jovens tenham de destinar 100% do seu salário durante 20 ou 30 anos, ou até mais, para poderem comprar a sua primeira casa. Os nossos jovens são o futuro da Europa, e a Europa deveria ser a garantia de um futuro melhor para eles”, afirmou o socialista português.

Costa sublinhou ainda que a escassez de moradia se tornou “uma grande preocupação para os cidadãos” e alertou que essa situação contribuiu para alimentar “a ira contra as instituições democráticas”, num contexto agravado pela inflação e pela crise energética.

“Isso demonstra como os níveis global e local estão diretamente ligados e afetam a competitividade da Europa. É justo dizer que precisamos de uma Europa mais competitiva e soberana para salvaguardar nosso estado de bem-estar, para proteger nossos valores e nossos cidadãos”, acrescentou.

Assim, o presidente do Conselho sustentou que reforçar a competitividade do bloco “não é um fim em si mesmo”, mas “o ingrediente indispensável” para fortalecer o modelo social europeu, criar empregos de maior qualidade e tornar a União “mais autônoma e resiliente”.

PEDE A ELIMINAÇÃO DE OBSTÁCULOS PARA AS PMEs E O FAVORECIMENTO DE SUA EXPANSÃO NA UE

Nesse sentido, defendeu avançar na integração do mercado interno e eliminar barreiras “desnecessárias” entre os Estados-Membros, especialmente para facilitar a atividade das pequenas e médias empresas e liberar o potencial econômico do bloco.

Da mesma forma, defendeu medidas como o reconhecimento mútuo de qualificações ou o impulso a um quadro comum que permita aos empreendedores expandir-se com maior facilidade em toda a União — conhecido como o regime 28 —, ao mesmo tempo em que pediu a simplificação do dia a dia das empresas e dos consumidores e a prevenção de novos encargos administrativos.

Prioridades que ele situou num contexto geopolítico “mais hostil e incerto”, marcado pela guerra na Ucrânia, pelas tensões comerciais e pelo aumento dos custos energéticos, fatores que, segundo alertou, evidenciam o preço das dependências externas para a economia europeia.

APOSTA NA REDUÇÃO DA DEPENDÊNCIA EM ENERGIA, DEFESA E TECNOLOGIA

Por isso, apostou no reforço da soberania europeia em áreas estratégicas como a energia, a defesa ou as novas tecnologias, com o objetivo de “garantir a segurança econômica e tecnológica” e tornar a União Europeia “um lugar atraente para se viver e investir”.

“Não estamos falando de protecionismo. Respeitaremos plenamente nossos acordos comerciais e fortaleceremos nossas alianças com países afins para garantir um acesso estável e confiável a matérias-primas e minerais essenciais para as tecnologias de hoje e do futuro”, esclareceu.

No entanto, ele ressaltou a necessidade de reforçar a cooperação entre instituições e cidadãos e de alcançar uma abordagem “verdadeiramente centrada nas pessoas”, que permita melhorar as condições de vida e fortalecer a legitimidade democrática da União Europeia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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