BRUXELAS, 1 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, comemorou a entrada em vigor, nesta quarta-feira, das regras que eliminam as tarifas sobre as importações industriais dos Estados Unidos e concedem acesso preferencial ao mercado comum para produtos agrícolas e frutos do mar do país liderado por Donald Trump, em troca de que este respeite um teto de 15% sobre as tarifas que os EUA impõem às produções europeias.
“Não gostamos de tarifas, gostamos de acordos comerciais, e hoje é um grande dia, porque entra em vigor nosso acordo comercial com os Estados Unidos”, afirmou o socialista português em uma coletiva de imprensa em Dublin, onde está sendo realizada a cerimônia de abertura da presidência irlandesa do Conselho da União Europeia.
Costa destacou que o bloco comunitário passou o último ano desenvolvendo “uma rede muito sólida” de acordos comerciais, como os recentemente assinados com a Índia, o México ou a Indonésia, o que eleva para 84 o número de tratados comerciais concluídos, enquanto se trabalha para fechar outros 27.
“Essa é a nossa prioridade. Não gostamos de tarifas, gostamos de comércio justo e essa é a nossa principal prioridade. E hoje é um bom exemplo de como, por meio de acordos comerciais, conseguimos garantir uma relação comercial justa e previsível com nossos parceiros, especificamente com os Estados Unidos”, prosseguiu.
O presidente do Conselho Europeu reafirmou a vontade da União Europeia de manter boas relações com Washington e de estabilizar as relações comerciais e políticas bilaterais, além de oferecer às empresas de ambos os lados do Atlântico “previsibilidade em nossas relações comerciais”.
Por outro lado, ele alertou: “tanto a Europa quanto os Estados Unidos são soberanos”. “Os Estados Unidos comemorarão, e nós comemoramos junto com nossos amigos americanos, o 250º aniversário de sua independência, no dia 4 de julho. Mas também os 27 Estados-membros são independentes, e decidimos trabalhar juntos como União, e continuaremos trabalhando juntos como União”, acrescentou.
CONTINUAR PRESSIONANDO A RÚSSIA
Em outro orden de coisas, ao ser questionado sobre como um país como a Irlanda — que historicamente se definiu como um país neutro e que não é membro da OTAN— contribuirá para reforçar a defesa da União Europeia durante sua presidência rotativa do Conselho, Costa respondeu que os Vinte e Sete vêm trabalhando nesse sentido há anos.
“A segurança e a defesa europeias vão além da OTAN e incluem, é claro, todos os Estados-membros da União Europeia, inclusive os quatro que são neutros”, indicou o socialista português, referindo-se, além da Irlanda, à Áustria, Malta e Chipre.
Costa acrescentou que, em março de 2022, toda a União Europeia decidiu assumir uma maior responsabilidade pela sua própria defesa, e é isso que vem fazendo “nos últimos anos”. Ele também acrescentou que, “é claro”, para investir mais em defesa, é necessário, além disso, fortalecer a economia europeia.
Ele também destacou que, em um momento em que o multilateralismo e a ordem internacional baseada em normas “estão sendo postos à prova” no “difícil contexto geopolítico mundial”, a presidência da Irlanda, “com sua defesa consistente e baseada em princípios”, é “a presidência certa no momento certo”.
Sobre a invasão russa da Ucrânia, ele indicou que os “princípios e valores” irlandeses são os que orientam “a unidade da União Europeia no apoio à Ucrânia”, por isso, nos próximos seis meses, continuará a pressionar a Rússia “tanto quanto for necessário” para que ela compreenda que “o tempo não está a seu favor” e que “deve passar do campo de batalha para a mesa de negociações”.
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