Publicado 05/03/2026 13:16

O Conselho Fiscal Europeu alerta para dificuldades na aplicação das novas regras fiscais da UE

Archivo - Arquivo - Reflexo de uma pessoa ao lado de uma bandeira da União Europeia (UE).
Christoph Soeder/dpa - Arquivo

A Espanha figura entre os países com risco de incumprimento da trajetória de gastos BRUXELAS 5 mar. (EUROPA PRESS) -

O Conselho Fiscal Europeu alertou que a aplicação das novas regras fiscais da UE levanta dúvidas e gerou dificuldades para interpretar alguns resultados, num contexto em que vários países, entre eles a Espanha, apresentam risco de não cumprir a trajetória de gastos recomendada.

No seu relatório sobre a implementação dos planos fiscais nacionais e dos projetos orçamentais para 2026, o organismo independente analisa o primeiro ciclo de aplicação do novo quadro de governação económica adotado pela UE após a reforma de 2023.

Entre as suas principais conclusões, o Conselho Orçamental salienta que a Comissão Europeia aplicou uma “interpretação extensiva” da cláusula de escape nacional, o mecanismo que permite desvios temporários da trajetória de despesas para facilitar o aumento das despesas com a defesa.

De acordo com o documento, esta abordagem permite que os países que aumentaram as suas despesas militares entre 2021 e 2024 utilizem parte da margem gerada para financiar outras despesas ou aplicar cortes fiscais, sempre dentro do limite de flexibilidade estabelecido.

O organismo considera que esta possibilidade deve ser limitada e sublinha que a flexibilidade prevista nestas disposições “deve ser estritamente restringida ao aumento das despesas com a defesa”, com o objetivo de preservar a sustentabilidade orçamental a médio prazo. A análise também aponta para a forma como Bruxelas avalia o cumprimento das regras orçamentais. De acordo com o texto, o procedimento foi aplicado de forma “mecânica”, o que pode dificultar a interpretação dos resultados se não for acompanhado por uma análise mais ampla do contexto fiscal de cada país.

De acordo com esta avaliação, a Espanha figura entre os países com risco de incumprimento da trajetória de despesas, juntamente com a Croácia, a Lituânia e a Eslovénia, enquanto Malta e os Países Baixos aparecem na categoria mais grave, a do “risco de incumprimento material”.

O relatório destaca ainda que a Espanha foi o único país da zona euro que não apresentou seu projeto de plano orçamentário para este ano dentro do prazo fixado em outubro de 2025, embora precise que isso não implica necessariamente que o governo não esteja adotando medidas com impacto nas contas públicas. MUDANÇA METODOLÓGICA SOBRE O IRPF

O documento examina também a mudança metodológica introduzida pela Comissão para calcular o chamado “fiscal drag”, o aumento automático das receitas fiscais que ocorre quando as faixas do imposto de renda não são ajustadas à inflação. Até o outono de 2024, a análise comunitária levava em conta a prática de cada país em relação à atualização das faixas do IRPF. Com a nova metodologia, em contrapartida, Bruxelas parte do pressuposto de que todos os Estados-Membros indexam essas faixas à inflação. Esta mudança pode afetar a avaliação do cumprimento em alguns países — entre eles Espanha, Irlanda, Itália e Chipre — onde a indexação das faixas do imposto sobre o rendimento não é uma prática habitual.

No caso espanhol, o relatório indica que uma interpretação convencional desse efeito faria com que a conta de controle anual para 2026 ultrapassasse o limite de 0,3% do PIB, o que poderia alterar a avaliação do país de “risco de incumprimento” para “risco de incumprimento material”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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