Wiktor Dabkowski / Zuma Press / Europa Press
ESTRASBURGO (FRANÇA), 15 (EUROPA PRESS)
A comissária europeia para Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque, alertou nesta terça-feira que “nenhum dos sinais que chegam do mercado é tranquilizador” em relação a uma possível crise econômica na zona do euro, embora tenha destacado que a comissão está mais preparada para enfrentar
“É evidente para todos que a situação não parece nada boa. Se olharmos ao nosso redor, nenhum dos sinais vindos do mercado é tranquilizador: a inflação está aumentando, os preços da energia continuam subindo, há tensões geopolíticas e guerras comerciais”, explicou ela em um encontro com a imprensa, incluindo a Europa Press, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
Além disso, a comissária europeia alertou que a dívida soberana está “muito elevada”, pelo que, no conjunto, há um “cenário mais arriscado” do que nos anos anteriores.
De qualquer forma, Albuquerque defendeu os “avanços muito importantes” registrados desde a última crise financeira, destacando especialmente as reformas empreendidas no setor bancário, que resultaram em um sistema “muito mais sólido”. “Os bancos estão mais bem capitalizados, a supervisão é mais eficiente e está mais harmonizada”, afirmou.
“Estamos muito mais bem preparados para enfrentar qualquer crise do que estávamos antes. Mas, é claro, o trabalho está longe de ter terminado e precisamos continuar avançando”, destacou.
A comissária portuguesa admitiu que a instabilidade econômica é causada por muitos fatores externos que a União não controla; por isso, defendeu que se concentre nas questões que realmente dependem do continente, como trabalhar para aprofundar o mercado único.
“É a conquista mais importante que alcançamos na Europa e é o que realmente nos torna grandes, em vez de sermos simplesmente uma soma de pequenos Estados-Membros”, defendeu.
A SOLUÇÃO PARA A CRISE IMOBILIÁRIA NÃO ESTÁ NAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS
Quanto à crise imobiliária em toda a Europa, Albuquerque atribuiu a origem à falta de oferta e rejeitou a ideia de que haja um problema de acesso ao crédito bancário, tanto para incorporadoras de imóveis novos quanto para proprietários, por isso destacou que o setor também não detém a solução para a situação.
“Não esperaria que a solução para o problema viesse do setor financeiro, porque essa também não é a origem do problema”, argumentou a comissária portuguesa.
“Não é aí que reside o grande problema. Faremos todo o possível para ajudar, mas não acredito que seja algo sobre o qual possamos fazer muito, especificamente neste caso”, indicou Albuquerque, que aprofundou que o crescimento das cidades, o novo modelo de famílias com menos membros ou o mercado imobiliário como ativo financeiro são fatores a serem levados em conta nesta crise.
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