Publicado 25/03/2026 10:03

O CEO da BlackRock prevê uma "recessão global" com o petróleo a US$ 150 devido à guerra no Irã

Destaca a aposta da Espanha na energia solar e defende a importância das interconexões

Archivo - Arquivo - Laurence Fink, presidente e diretor executivo da BlackRock (EUA), aponta para a plateia durante a sessão “Perspectivas Econômicas Globais” na Reunião Anual de 2015 do Fórum Econômico Mundial, no centro de congressos de Davos, em 24 de
MORITZ HAGER - Arquivo

MADRID, 25 mar. (EUROPA PRESS) -

Larry Fink, diretor executivo da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, alertou para o risco de uma “recessão global” caso o atual conflito no Oriente Médio resulte em um preço do barril de petróleo de 150 dólares, enquanto uma resolução da crise que implicasse a reintegração do Irã à comunidade internacional levaria os custos do petróleo para níveis inferiores aos pré-guerra.

Em entrevista à BBC, divulgada pela Europa Press, embora alerte que é prematuro determinar qual será a magnitude e o resultado final, o CEO da BlackRock apresenta um cenário com dois resultados muito extremos: ou o petróleo atinge US$ 40 o barril, ou ultrapassa US$ 150, sinalizando que “não haverá um resultado intermediário”.

Assim, se o Irã continuasse sendo uma ameaça, “então eu diria que poderíamos ter anos com preços acima de 100 dólares, inclusive perto de 150 dólares, o que tem implicações profundas para a economia”, enquanto, se o Irã fosse um país aceito pela comunidade internacional e seu petróleo voltasse ao mercado, aliado ao crescimento da produção petrolífera venezuelana, os preços poderiam ser mais baixos do que antes da guerra.

“Um preço do petróleo de 40 dólares implica abundância e crescimento. A outra possibilidade é uma recessão provavelmente severa e acentuada”, observou ele, referindo-se ao impacto do custo dos hidrocarbonetos em grande parte da cadeia de abastecimento, incluindo fertilizantes para a agricultura ou componentes tecnológicos.

PRAGMATISMO ENERGÉTICO

Nesse contexto, Fink defende um “pragmatismo energético” que permita aos países usar os recursos disponíveis para gerar maior abundância, ressaltando o papel fundamental que desempenha a disponibilidade de energia e eletricidade baratas.

“Um dos problemas fundamentais da Europa é a escassez de fontes de energia”, assinala o financista, destacando as diferentes abordagens que os países do Velho Continente estão adotando, incluindo a aposta da França na energia nuclear; na hidrelétrica, entre os países nórdicos; e na energia solar no caso da Espanha.

“Trata-se de ser pragmático e tentar beneficiar uma parcela maior da população. O aumento dos preços da energia é um imposto muito regressivo e afeta mais os pobres do que os ricos”, comentou ele antes de assinalar que, se o petróleo tivesse estado a 150 dólares durante três ou quatro anos, “muitos países teriam se voltado rapidamente para a energia solar”.

Nesse sentido, embora destaque que os Estados Unidos têm hidrocarbonetos suficientes para serem independentes, ele reitera seu apelo para que o país adote plenamente a energia solar, para o que precisa fabricar painéis solares no país, construir sistemas de armazenamento de baterias e de backup, e contar com uma rede elétrica resiliente.

“Um dos problemas do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Europa é que não temos redes elétricas interconectadas. Temos redes mais regionalizadas”, aponta Fink, para quem entrar no mundo da IA requer resiliência e muito mais energia. “Entre outras coisas, não depender totalmente de uma única fonte”, acrescenta.

NENHUMA SEMELHANÇA COM A GRANDE CRISE FINANCEIRA

Por outro lado, o CEO da BlackRock negou que as recentes turbulências no segmento de dívida privada, onde algumas empresas limitaram os reembolsos, tenham qualquer semelhança com os sinais precursores da grande crise financeira que abalou os mercados mundiais entre 2007 e 2008.

“Não vejo nenhuma semelhança. Nenhuma”, concluiu Fink, para quem a crise de 2007 se baseou na enorme alavancagem oculta nos balanços, que lançou as bases para a crise de 2008.

Nesse sentido, Fink considera que se trata de “um segmento muito pequeno dos mercados de capitais”, do qual alguns investidores de varejo tentam se retirar, “ao mesmo tempo em que as instituições ligam perguntando: ‘Posso comprar mais?’”. “Então, alguns estão saindo correndo, outros tentam entrar”, resumiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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