Carlos Castro - Europa Press
BRUXELAS 14 ago. (EUROPA PRESS) -
Em 2025, o carvão representou apenas 9,2% da eletricidade gerada na União Europeia, sua menor participação desde pelo menos 1990 e muito aquém dos mais de um terço que representava naquela época, de acordo com os últimos dados publicados pelo Eurostat, o órgão de estatística da União Europeia.
O peso desse combustível fóssil na produção de eletricidade europeia caiu abaixo de 10% pela primeira vez em 2024 e voltou a diminuir no ano passado, prolongando uma tendência de queda que levou outras fontes de energia, incluindo a solar desde 2024, a ultrapassar o carvão no “mix” de geração da UE.
Mais especificamente, o lignito contribuiu com 5,5% de toda a eletricidade produzida no bloco em 2025, o que equivale a 154.186 gigawatts-hora (GWh), enquanto o carvão bituminoso representou outros 3,7%, com 105.601 GWh.
Esses números contrastam com o peso que o carvão tinha há três décadas, quando representava mais de um terço de toda a geração de energia elétrica da União, enquanto no ano 2000 ainda concentrava 30,4% do total.
Desde então, sua presença tem diminuído de forma praticamente contínua, com leves recuperações entre 2011 e 2012 e novamente entre 2021 e 2022, até atingir, em 2025, o nível mais baixo da série analisada pelo Eurostat.
Esse recuo também alterou a posição do carvão em relação a outras fontes de energia. Em 1990, o carvão mineral e o lignito eram a segunda e a terceira principais fontes de geração de energia elétrica da UE, com 19,8% e 15,3% do total, respectivamente, enquanto em 2025 haviam caído para a sétima e a sexta posições.
Assim, ambos os tipos de carvão foram ultrapassados pela energia nuclear em 1994 e pelo gás natural em 2019, enquanto a energia hidrelétrica e a eólica passaram à frente em 2023 e a energia solar fez o mesmo em 2024.
MÍNIMOS TAMBÉM NO CONSUMO DE CARVÃO
A queda de sua participação na geração de energia elétrica coincide, além disso, com novos mínimos na produção e no consumo de carvão na UE, de acordo com as estimativas do Eurostat para 2025. Mais especificamente, o uso de carvão bituminoso caiu para 107 milhões de toneladas e o de lignito para 184 milhões, em ambos os casos os níveis mais baixos já registrados.
A queda ocorre enquanto vários Estados-membros avançam no abandono desse combustível fóssil. Portugal deixou de utilizar carvão bituminoso para produzir eletricidade em 2021, enquanto a Eslováquia encerrou a produção de lignito em 2024, restando atualmente oito países da UE que ainda produzem esse último tipo de carvão.
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