Publicado 17/07/2026 11:12

Bruxelas quer dobrar a participação da eletricidade no consumo energético e tributá-la menos do que o gás

Comunicado à Imprensa / A eletricidade distribuída pela Iberdrola cresce 6,3% até junho
IBERDROLA

BRUXELAS 17 jul. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia propôs nesta sexta-feira duplicar, em quatorze anos, a participação da eletricidade no consumo energético da União Europeia, atualmente estagnada em cerca de 23%, por meio de um plano que prevê a redução da carga tributária da eletricidade em relação ao gás, a ampliação dos medidores inteligentes e a aceleração da instalação de bombas de calor, veículos elétricos e tecnologias industriais alimentadas por essa fonte.

“Queremos que os preços reflitam a realidade: o verde é mais barato e mais inteligente; a dependência é cara”, afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, que alertou que cada ano de atraso acarreta mais custos, maior exposição a crises externas e novas oportunidades perdidas para a economia europeia.

A Comissão Europeia pretende, assim, que a eletricidade substitua progressivamente os combustíveis fósseis nas fábricas, edifícios e transporte. Para isso, estabelece como metas que pelo menos 50% dos consumidores disponham de sistemas de medição inteligente do consumo até 2030 e que a capacidade de armazenamento atinja 200 gigawatts nesse mesmo ano.

A iniciativa parte da premissa de que aumentar a geração de energia renovável e nuclear não será suficiente se a eletricidade produzida não ganhar peso no consumo final; por isso, Bruxelas pretende agir também sobre os impostos, as redes e o preço de tecnologias como as bombas de calor ou os carros elétricos.

“Desde o fechamento do Estreito de Ormuz, a Europa pagou mais de 50 bilhões de euros a mais pela energia sem receber nem mesmo uma molécula a mais”, alertou o comissário europeu de Energia e Habitação, Dan Jorgensen, que também defendeu que essa conta demonstra a vulnerabilidade econômica decorrente da dependência externa.

Segundo ele, a UE precisa substituir as “moléculas negras, caras e poluentes” por “elétrons limpos, baratos e produzidos na Europa”, tanto para reduzir suas importações quanto para melhorar a competitividade e avançar na luta contra as mudanças climáticas.

MENOS IMPOSTOS SOBRE A ELETRICIDADE

Uma das principais medidas do plano consiste em exigir que a eletricidade tenha uma carga tributária inferior à do gás, uma diferença que Bruxelas considera necessária para corrigir o atual desequilíbrio entre ambas as fontes e reduzir as contas dos consumidores.

A Comissão apresentará ainda, antes do final do ano, novas medidas para retirar progressivamente os subsídios aos combustíveis fósseis, cujo valor é estimado em cerca de 100 bilhões de euros por ano, ao considerar que o dinheiro público não deve continuar financiando a dependência energética do exterior.

O Executivo comunitário também pretende aproveitar melhor as infraestruturas existentes por meio de tarifas de rede que recompensem a flexibilidade e incentivem residências e empresas a consumir eletricidade quando ela estiver mais barata e houver menor pressão sobre o sistema.

Com essa medida, o Executivo comunitário pretende evitar ampliações “desnecessárias e onerosas” das redes e reduzir os custos suportados pelas indústrias com elevado consumo energético.

ELETRIFICAR A INDÚSTRIA

No âmbito industrial, a Comissão sustenta que já é “tecnicamente possível” substituir combustíveis fósseis por eletricidade em 60% da demanda energética, por meio de soluções como fornos elétricos e caldeiras alimentadas por essa fonte.

Para acelerar esses investimentos, elaborará planos de ação específicos para cada setor e buscará melhorar o acesso das empresas a diferentes fontes de energia de baixo carbono, além de utilizar parte das receitas do mercado europeu de emissões para financiar a transformação.

BOMBAS DE CALOR E VEÍCULOS ELÉTRICOS

Em residências, escritórios e prédios públicos, a Comissão Europeia pretende aumentar significativamente a instalação de bombas de calor até 2030 e facilitar seu financiamento para substituir progressivamente as caldeiras a gás.

De acordo com os cálculos apresentados por Jorgensen, essa mudança pode reduzir em até 60% a conta média de aquecimento das residências dos europeus, além de permitir a refrigeração nos meses mais quentes.

Para isso, a Comissão propõe reduzir o risco financeiro dos investimentos e oferecer aos consumidores orçamentos e informações comparáveis, com o objetivo de facilitar a escolha entre as diferentes tecnologias disponíveis.

O documento também inclui novas medidas de apoio aos veículos elétricos e propõe ampliar os programas de locação social já aplicados por alguns Estados-membros para facilitar o acesso das famílias de baixa renda a automóveis e outras soluções elétricas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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