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Propõe implantar pequenos reatores nucleares na Europa na próxima década BRUXELAS 10 mar. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira um pacote de medidas para reduzir a conta de energia das famílias, que inclui facilitar a mudança de fornecedor de eletricidade, reduzir impostos e sobretaxas na eletricidade sempre que possível e reforçar o direito dos cidadãos de produzir e compartilhar sua própria energia limpa.
A vice-presidente da Comissão para a Transição Limpa, Teresa Ribera, defendeu que o objetivo do pacote é colocar os cidadãos “no centro” da política energética europeia, num momento em que muitas famílias destinam uma parte crescente de seus rendimentos ao pagamento da energia.
“Em muitos lares, a conta de energia representa uma parte considerável do orçamento mensal”, alertou Ribera, que apontou que a volatilidade dos mercados de combustíveis fósseis continua a se refletir nos preços pagos pelos consumidores. A vice-presidente defendeu que a implantação de energias renováveis e limpas é a principal forma de reduzir essa exposição aos aumentos de preços. “São a única solução a longo prazo para a nossa competitividade e para que a energia seja mais acessível para as famílias europeias”, afirmou. As propostas fazem parte do chamado Pacote de Energia para os Cidadãos, com o qual Bruxelas procura reduzir o impacto dos altos preços da energia nos lares e combater a pobreza energética.
Entre as medidas propostas, figura também a melhoria da transparência nas faturas e contratos de energia e a facilitação do acesso a comunidades energéticas para que os consumidores possam gerar e partilhar eletricidade. Segundo a Comissão, os agregados familiares que produzem e consomem a sua própria energia solar poderiam obter poupanças anuais entre 260 e 550 euros.
“Se for possível reduzir a tributação sobre a energia, especialmente sobre a eletricidade, há um grande potencial para reduzir as contas. Haveria uma economia de cerca de 200 euros por ano se os impostos fossem reduzidos”, afirmou o comissário de Energia e Habitação, Dan Jorgensen.
Na mesma linha, o comissário salientou que facilitar a mudança de fornecedor de eletricidade para reforçar a concorrência no mercado também poderia contribuir para reduzir o custo da eletricidade para as famílias, com uma economia estimada de até 152 euros por ano para os consumidores.
O pacote inclui ainda iniciativas para apoiar investimentos em eficiência energética nas habitações, especialmente em edifícios com maior consumo, com o objetivo de reduzir os gastos energéticos das famílias mais vulneráveis. INVESTIMENTO DE 75 BILHÕES EM ENERGIA LIMPA
Juntamente com estas iniciativas dirigidas aos consumidores, a Comissão apresentou uma estratégia para mobilizar investimentos em energia limpa, destinada a facilitar o financiamento de infraestruturas elétricas, tecnologias energéticas inovadoras e projetos de eficiência energética.
Neste contexto, o Grupo do Banco Europeu de Investimentos prevê mobilizar mais de 75.000 milhões de euros em financiamento nos próximos três anos para apoiar a transição energética e reforçar o desenvolvimento de infraestruturas e tecnologias limpas.
Segundo o Executivo comunitário, acelerar a implantação de energias limpas e a eletrificação permitirá também reduzir progressivamente a fatura europeia das importações de combustíveis fósseis, com poupanças que poderão atingir 130 mil milhões de euros por ano até 2030. MINI REATORES NUCLEARES
O pacote energético inclui também uma estratégia para o desenvolvimento de pequenos reatores nucleares modulares (SMR), anunciada anteriormente pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, com a qual Bruxelas procura facilitar a implantação desta tecnologia nos Estados-Membros que optarem pela energia nuclear e que poderão começar a operar na Europa no início da década de 2030.
Para apoiar sua implantação, o Executivo comunitário estudará reforçar o programa “InvestEU” com até 200 milhões de euros provenientes do Fundo de Inovação para apoiar as primeiras unidades comerciais de tecnologias nucleares inovadoras por meio de garantias que reduzam o risco de investimento.
Segundo Bruxelas, o conjunto destas medidas visa avançar para um sistema energético mais baseado em fontes próprias de energia limpa, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis importados e limitar o impacto da volatilidade dos mercados energéticos nos consumidores europeus.
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