Publicado 22/04/2026 07:13

Bruxelas propõe reduzir as tarifas de energia elétrica e proibir o corte de fornecimento a famílias vulneráveis devido à crise energ

Propõe auxílios imediatos acompanhados de medidas estruturais para acelerar a eletrificação e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis

Archivo - Arquivo - A vice-presidente para a Transição Limpa, Justa e Competitiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, numa coletiva de imprensa.
VALENTINE ZELER / EUROPEAN COMMISSION - Arquivo

BRUXELAS, 22 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira um pacote energético com o qual propõe um conjunto de medidas para que os Estados-Membros reduzam os impostos sobre a eletricidade, ativem vouchers de energia e tarifas sociais e possam introduzir proibições temporárias aos cortes no fornecimento, a fim de proteger as famílias mais vulneráveis diante da nova crise decorrente do conflito no Oriente Médio.

A iniciativa, batizada de “AccelerateEU”, será debatida pelos líderes da UE no Conselho Europeu informal que se realizará em Chipre nesta quinta e sexta-feira e responde ao aumento dos preços dos combustíveis fósseis e das importações de energia após a escalada na região, que, segundo dados do Executivo comunitário, já representou um custo adicional de cerca de 24 bilhões de euros para a UE em apenas 52 dias.

“A energia não pode ser utilizada como instrumento de dominação nem de guerra”, afirmou em coletiva de imprensa a vice-presidente da Comissão para a Transição Limpa, Teresa Ribera, que defendeu que acelerar a transição energética é “extremamente importante” para reforçar a segurança econômica e energética da UE e reduzir sua dependência externa, apostando em soluções limpas, locais e eficientes.

O pacote de Bruxelas combina medidas de alívio de curto prazo com outras de longo prazo para apoiar consumidores e indústria, ao mesmo tempo em que insiste em impulsionar a eletrificação, reforçar redes e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados como forma de amortecer futuros aumentos de preços.

De qualquer forma, o componente mais visível para os consumidores passa por facilitar aos governos nacionais instrumentos já previstos no quadro europeu, como auxílios diretos à renda, vouchers de energia para substituir caldeiras, tarifas sociais, reduções do IVA para bombas de calor, painéis solares e pequenas baterias, ou incentivos fiscais para veículos elétricos.

Bruxelas ressalta ainda que a legislação comunitária já permite aos Estados-Membros introduzir proibições temporárias, ou mesmo totais, de corte de energia para consumidores vulneráveis com problemas de pagamento, bem como facilitar a troca rápida de fornecedor e contrato para que os usuários possam se beneficiar de tarifas mais baratas.

“Isso não pode ser algo que apenas alguns possam se dar ao luxo de ter; tem que ser acessível a todos e todas. Temos de garantir que todos possam contar com uma solução energética, porque é assim que deve ser. E deve ser mais justo, além disso. Tem de ser uma escolha fácil e acessível. Temos de proteger os mais vulneráveis”, insistiu Ribera.

Paralelamente, a Comissão adotará um quadro temporário de auxílios estatais para dar mais margem aos governos nacionais na hora de apoiar os setores econômicos mais expostos ao aumento dos preços, em uma resposta que também busca amortecer o impacto sobre as indústrias intensivas em energia.

MENOS IMPOSTOS SOBRE A ELETRICIDADE E MAIS PRESSÃO SOBRE O GÁS

Outro dos anúncios mais concretos do pacote é que Bruxelas apresentará em maio uma proposta sobre tarifas de rede e tributação com a qual pretende favorecer um sistema energético mais eletrificado e resiliente, incluindo a possibilidade de reduzir os encargos para determinados usuários e garantindo que a eletricidade tenha uma tributação mais baixa do que o gás.

A Comissão sustenta que essa mudança fiscal é coerente com a necessidade de retirar os lares, o transporte e a indústria da exposição aos combustíveis fósseis. Segundo seus dados, mais de 70% da eletricidade da UE já provém de fontes limpas e os países com maior peso de energias renováveis e nuclear em seu mix costumam registrar preços de eletricidade abaixo da média comunitária.

Nessa linha, o plano insiste em acelerar a instalação de bombas de calor, reforçar o isolamento das residências e substituir equipamentos ineficientes, medidas com as quais Bruxelas espera reduzir significativamente o consumo de energia e as contas das famílias, com economias que podem chegar a cerca de 25% em alguns casos.

COORDENAR O ABASTECIMENTO DAS RESERVAS DE GÁS E EVITAR PÍQUES DE PREÇOS

No plano mais imediato, a Comissão pretende evitar que se repita uma corrida à compra de gás como a do verão de 2022 e, por isso, aposta na coordenação com os Estados-Membros do enchimento dos armazenamentos subterrâneos de cara ao inverno, de forma progressiva e sem provocar novos picos de preços.

Bruxelas incentiva ainda a utilização da flexibilidade já prevista na regulamentação europeia sobre armazenamento e não descarta explorar margens adicionais para adaptar as metas de abastecimento à situação do mercado e evitar tensões desnecessárias.

Outra novidade do pacote é a criação de um observatório europeu de combustíveis para monitorar a produção, as importações, as exportações e os níveis de reservas, com especial atenção ao querosene e ao diesel.

A Comissão alerta para a elevada dependência externa em alguns segmentos, como o combustível de aviação, e ressalta a necessidade de antecipar possíveis gargalos e melhorar a distribuição entre os Estados-Membros para garantir o abastecimento.

Além disso, Bruxelas prevê revisar a regulamentação sobre reservas de petróleo e melhorar o acompanhamento da capacidade de refino na União Europeia, diante da redução registrada nos últimos anos e de sua concentração em determinadas regiões.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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