Publicado 01/04/2026 12:24

Bruxelas propõe desembolsar em 2026 metade do empréstimo de 90 bilhões a Kiev, que ainda está bloqueado por Orbán

Enquanto isso, a UE libera mais 1,4 bilhão de euros em apoio à Ucrânia, provenientes dos juros cobrados sobre os ativos russos congelados

Archivo - Arquivo - O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, recebe em Kiev a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa
ALEXANDROS MICHAILIDIS - Arquivo

BRUXELAS, 1 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira sua proposta para desembolsar, ao longo deste ano, metade dos 90 bilhões de euros do empréstimo que os líderes da UE concordaram, em dezembro passado, em conceder a Kiev para cobrir suas necessidades financeiras urgentes, mas que, por enquanto, não pode ser executado devido à decisão do governo húngaro de Viktor Orbán de descumprir o compromisso dos 27 e vetá-lo.

“Estamos trabalhando para que tudo esteja pronto o mais rápido possível”, afirmou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas o porta-voz comunitário para Orçamentos, Balazs Ujvari, para explicar que o objetivo desta proposta — que precisa da aprovação do Conselho (governos) —— é “avançar em todas as etapas técnicas” para que o empréstimo possa ser executado assim que os obstáculos decorrentes do veto da Hungria forem superados.

Nesse caso, os 27 já deram, em nível de líderes, seu aval à ajuda financeira de 90 bilhões em sua cúpula de dezembro, insistiu o porta-voz, pelo que agora a Comissão busca esclarecer “quanto desembolsar, para quais objetivos e por quais canais”.

Especificamente, Bruxelas propõe liberar 45 bilhões ao longo deste ano e o restante em 2027, destinados tanto a necessidades orçamentárias — incluindo as despesas correntes da administração — quanto a financiar os gastos militares do país em guerra com a Rússia.

No que diz respeito a 2026, a proposta comunitária prevê destinar 16,7 bilhões para despesas administrativas e outros 28,34 bilhões para as necessidades militares, detalhou o porta-voz comunitário.

O plano apresentado por Bruxelas inclui também a concessão de uma isenção a Kiev no âmbito das compras conjuntas de drones, que obrigam a adquirir, sempre que possível, material militar produzido em pelo menos 65% em países da UE ou na própria Ucrânia.

A derrogação atende às “necessidades de curto prazo” do país e permitirá que ele utilize os fundos obtidos com essa ajuda na compra de drones com uma porcentagem maior de origem em países terceiros. “A Ucrânia enfrenta uma guerra e tem necessidades imediatas, de curto prazo, críticas e massivas para se defender”, explicou o porta-voz comunitário para a defesa, Thomas Regnier, ao justificar a flexibilidade proposta pela Comissão.

1,4 BILHÕES A PARTIR DOS JUROS DE ATIVOS RUSSOS CONGELADOS

Paralelamente, o Executivo comunitário também informou nesta quarta-feira sobre o desembolso de uma nova parcela de 1,4 bilhão de euros em ajuda à Ucrânia, proveniente dos juros cobrados pelo congelamento de ativos soberanos russos em solo europeu, em consequência das sanções que a União impõe ao Kremlin desde o início da invasão.

Trata-se da quarta transferência deste tipo — a anterior ocorreu no verão de 2025 — e é coberta pelos “lucros extraordinários” gerados pelos juros dos saldos de caixa provenientes dos ativos imobilizados do Banco Central da Rússia depositados em centrais de valores europeias. 95% dos recursos serão destinados a apoiar Kiev por meio do Mecanismo de Cooperação para Empréstimos à Ucrânia e 5% por meio do Fundo Europeu para a Paz.

Em maio de 2024, o Conselho (governos) adaptou o marco jurídico para garantir que as receitas extraordinárias decorrentes da retenção desses ativos pudessem ser utilizadas para ajudar a Ucrânia, o que difere da proposta do ano passado — que ficou engavetada devido às reservas da Bélgica — de utilizar a liquidez dos ativos congelados para financiar o empréstimo de 90 bilhões.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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