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BRUXELAS 9 jun. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira uma iniciativa com a qual pretende mobilizar até 25 bilhões de euros em investimentos para projetos de energias renováveis, hidrogênio, tecnologias limpas e redes elétricas modernas nos países parceiros da UE no Mediterrâneo, Oriente Médio e Norte da África até 2035, com o objetivo de reforçar a segurança energética, impulsionar a competitividade e acelerar a transição verde.
O plano, que faz parte do novo Pacto para o Mediterrâneo, estabelece como meta contribuir para a implantação de 15 gigawatts adicionais de capacidade renovável e apoiar o desenvolvimento de infraestruturas energéticas transfronteiriças, além de promover a criação de mais de 100.000 empregos ligados às energias limpas na região.
Para apoiar esses investimentos, Bruxelas prevê utilizar mais de 5 bilhões de euros em garantias financeiras por meio de instrumentos europeus destinados a atrair capital público e privado para projetos energéticos em países parceiros do Mediterrâneo.
"O que diferencia esta iniciativa é seu modelo de colaboração. As instituições públicas, por si só, não podem financiar a magnitude da transformação de que precisamos. Precisamos de experiência, inovação e capital do setor privado. Por isso, ela reúne governos, bancos de desenvolvimento, instituições financeiras internacionais, promotores de projetos e investidores privados”, esclareceu a comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica.
A proposta prevê também medidas para melhorar os marcos regulatórios, modernizar as redes elétricas e facilitar o intercâmbio de energia entre os países da região, num momento em que a UE busca reduzir sua dependência energética e reforçar a cooperação com seus vizinhos do sul.
A Comissão considera que o programa contribuirá ainda para diversificar os sistemas energéticos e as cadeias de abastecimento, reforçar a segurança energética e acelerar a descarbonização tanto na UE como nos seus parceiros mediterrâneos.
Além disso, espera impulsionar novas parcerias industriais em áreas como as energias renováveis, o hidrogênio, a fabricação de tecnologias limpas e o desenvolvimento de cadeias de valor mais resilientes.
Bruxelas destaca que a região mediterrânea possui um potencial renovável ainda inexplorado de cerca de 2.300 gigawatts, mais do que o dobro da capacidade atualmente instalada na UE, e destaca que muitos países da região continuam dependendo em grande medida dos combustíveis fósseis, o que os torna especialmente vulneráveis às flutuações de preços e às tensões geopolíticas.
“Em muitos países do sul do Mediterrâneo, a energia solar e eólica pode ser produzida a custos entre 30% e 40% inferiores aos europeus. No entanto, apesar desse enorme potencial, os níveis de investimento continuam muito abaixo do necessário”, assinalou a comissária.
Por sua vez, o comissário europeu para a Energia e Habitação, Dan Jorgensen, defendeu que a atual crise energética demonstra que “diversificar o abastecimento de combustíveis fósseis já não é suficiente para proteger a Europa da instabilidade geopolítica e dos aumentos de preços”.
Nesse contexto, ele apostou na aceleração da eletrificação e na implantação de energias renováveis, considerando que elas constituem os pilares de uma segurança energética duradoura, bem como da independência e da competitividade europeias. “Nunca mais devemos dar a segurança energética como garantida”, advertiu.
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