Publicado 27/05/2026 09:01

Bruxelas pede que pelo menos dois terços do espectro de satélites móveis sejam reservados para empresas europeias, em contraposição

A vice-presidente da comunidade, Henna Virkkunen
LUKASZ KOBUS / EUROPEAN COMMISSION

Propõe prorrogar por dois anos as licenças das empresas americanas Viasat e EchoStar para preparar a transição

BRUXELAS, 27 maio (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia propôs nesta quarta-feira reservar pelo menos dois terços do espectro de satélites móveis europeu para empresas europeias, a fim de garantir a soberania tecnológica em um setor cada vez mais relevante no plano geopolítico, diante de gigantes tecnológicos rivais como o serviço de Internet via satélite Starlink, do magnata norte-americano Elon Musk.

"Esta banda é absolutamente vital para nossos cidadãos, empresas e governos, sem distinção. Após 18 anos, a Europa encontra-se numa encruzilhada. Temos agora uma oportunidade única de escolher o nosso futuro”, defendeu em uma coletiva de imprensa em Bruxelas a vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelas telecomunicações, Henna Virkkunen, sobre a nova proposta de repartição das frequências para a banda de 2 GHz.

Virkkunen referiu-se assim à presença, nas últimas quase duas décadas, das empresas americanas Viasat e EchoStar, cujas licenças expirarão em maio de 2027, momento em que Bruxelas poderá selecionar os novos prestadores de serviços móveis via satélite para assumir o relevo sob novos critérios.

Ciente da dificuldade de negociar com o Conselho e o Parlamento Europeu uma reforma que possa ser aplicada em apenas um ano, a Comissão Europeia propõe também que seja concedida uma prorrogação de dois anos à Viasat e à EchoStar, de modo a que haja margem suficiente para finalizar a regulamentação e realizar a nova seleção.

Nesse contexto, Bruxelas defende o estabelecimento de um procedimento de seleção único a nível da UE, com o objetivo de garantir um “sistema de satélite único e seguro para uso governamental e comercial”, que permita, além disso, que os operadores possam desenvolver e prestar serviços transfronteiriços.

PROTEÇÃO DE DOIS TERÇOS DO ESPECTRO

O novo modelo de licitação que protegerá o espaço de satélites europeu contra os grandes atores estrangeiros também estará aberto a países vizinhos da União, como o Reino Unido e a Noruega, que poderão acessar as licenças reservadas aos europeus; mas, para isso, alertou Virkkunen, “serão necessárias negociações e a harmonização de suas normas para garantir que cumpram a legislação” comunitária.

Especificamente, a divisão que Bruxelas propõe divide o espectro em três partes, sendo a primeira reservada exclusivamente a empresas de propriedade europeia, pois será destinada ao uso governamental, ou seja, para comunicações críticas, de segurança e uso militar.

“Para esses setores críticos, nossa proposta é muito clara: eles devem ser operados por um provedor da UE. Uma vez selecionado, o operador também garantirá a futura integração com a infraestrutura IRIS2 (projeto europeu no qual a Hispasat participa)”, destacou Virkkunen.

O restante do espectro, destinado ao uso comercial — por exemplo, para serviços a bordo de companhias aéreas ou aplicativos de monitoramento de atividade física —, reservará novamente um terço para empresas europeias, mas, neste caso, para “startups” que ingressarem no mercado. Dessa forma, apenas o terceiro terço estará parcialmente aberto a concorrentes estrangeiros, já que tanto “empresas da UE quanto de fora da União” poderão ter acesso a ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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