Publicado 09/09/2026 14:00

Bruxelas pede “critérios de qualidade” nas contratações públicas que favoreçam empresas da UE e afastem as chinesas

Archivo - Arquivo - FOTO DE ARQUIVO - 8 de julho de 2025, França, Estrasburgo: Stéphane Sejourne, vice-presidente executivo para a Prosperidade e Estratégia Industrial da Comissão Europeia, fala durante uma coletiva de imprensa conjunta com Jessika Roswal
Valentine Zeler/European Commiss / DPA - Arquivo

BRUXELAS 9 set. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira uma proposta para simplificar e flexibilizar os processos de contratação pública, mas com a qual também pretende favorecer a preferência europeia em detrimento de empresas de países terceiros que, como a China, não oferecem reciprocidade no acesso aos mercados públicos nem cumprem altos padrões em critérios sociais.

Para isso, conforme explicou o vice-presidente responsável pela Estratégia Industrial, o liberal Stéphane Séjourné, Bruxelas deseja que se deixe de considerar sistematicamente o preço como único critério para a seleção e que se abra espaço para critérios sociais.

Especificamente, a revisão do regulamento sobre contratação pública defende que, no procedimento padrão de adjudicação, “pelo menos 30% da avaliação” da proposta atenda a “quatro critérios sociais” — podendo chegar até 50% para contratos com alta intensidade de mão de obra.

Os serviços comunitários esclarecem que as autoridades contratantes podem se afastar dessa abordagem se explicarem como a qualidade será garantida de outra forma, por exemplo, por meio de requisitos mínimos de qualidade.

Nesse sentido, a proposta aponta critérios de caráter social — condições de trabalho, acessibilidade ou inclusão —, ambientais — descarbonização ou economia circular —, de inovação — capacidade de criar novos produtos — e critérios de segurança e resiliência.

Séjourné admitiu que, em algumas ocasiões, dar prioridade aos critérios sociais e ambientais poderia prejudicar a “competitividade” das empresas europeias que competem com empresas de países terceiros que não atendem a padrões tão elevados quanto os exigidos pela legislação comunitária; mas também destacou que, em matéria de segurança cibernética ou inovação, as empresas da UE deveriam estar à frente.

A “preferência europeia” continuará a ter prioridade na estratégia comunitária, afirmou o vice-presidente, de modo que um órgão de contratação pública possa excluir operadores de países com os quais não haja acordos comerciais sobre mercados públicos, estabelecendo essa exclusão tanto com base na nacionalidade da empresa quanto na origem dos produtos.

“Por exemplo, uma prefeitura poderá, sem dúvida, excluir uma empresa chinesa ou uma empresa europeia que ofereça produtos chineses; e poderá também, dentro de critérios de qualidade, atribuir maior pontuação e visibilidade às propostas europeias”, afirmou Séjourné.

Por outro lado, a Comissão Europeia defende que, para avançar na simplificação e na redução da burocracia, será fundamental a criação de um mercado digital integrado de compras públicas, composto por plataformas de compras eletrônicas interconectadas e interoperáveis dos Estados-Membros.

Uma rede única que permitirá às empresas participar dos processos de contratação e apresentar propostas em toda a UE por meio de qualquer uma das plataformas de contratação eletrônica conectadas, aplicando o princípio de “uma única vez” e evitando, assim, solicitações repetidas de informações e documentação, agilizando, por exemplo, ao permitir a verificação automática dos critérios de exclusão.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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