Publicado 03/09/2025 08:58

Bruxelas oferece mais análise do pacto do Mercosul e apoio aos agricultores para acelerar a ratificação

Archivo - HANDOUT - 01 de dezembro de 2023, Emirados Árabes Unidos, Dubai: O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (esq.) se reúne com o presidente francês Emmanuel Macron durante a abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climát
Ricardo Stuckert/Planalto /dpa - Arquivo

BRUXELAS 3 set. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia apresentou formalmente na quarta-feira os textos legais que precisam da aprovação dos 27 e do Parlamento Europeu para a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, um pacto para o qual Bruxelas oferece maior controle sobre as salvaguardas que protegerão as produções européias mais sensíveis e fortalecerão os fundos de crise para os agricultores como medidas para convencer os mais relutantes, como a França (sem uma minoria de bloqueio).

Bruxelas tentou finalizar os documentos antes das férias de verão para facilitar a ratificação antes do final de 2025 - quando se completará um ano do fim das negociações e do acordo político -, mas as reservas da França - seguida pela Polônia e pela Itália - e, paralelamente, a crise tarifária com os Estados Unidos engavetaram essa proposta até agora.

No entanto, fontes da UE estão confiantes de que a ratificação pelos co-legisladores europeus será "a mais rápida possível" e, assim, permitirá que a parte comercial do acordo entre em vigor de forma provisória, sem ter que esperar pela ratificação do acordo global por cada Estado membro individualmente, o que pode levar anos. Por outro lado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também está confiante de que o acordo poderá ser assinado pelas partes ainda neste semestre, aproveitando o momento da presidência rotativa do Brasil no Mercosul.

Essa via dupla para a ratificação do Acordo de Associação UE-Mercosul permitiria uma rápida entrada em vigor da parte comercial se ela for aprovada pelo Conselho (por maioria qualificada dos governos) e pelo Parlamento Europeu (por maioria simples do plenário). No entanto, um grupo de eurodeputados da Esquerda Europeia e dos Verdes questionou essa abordagem e ameaçou contestar no Tribunal de Justiça da UE a base jurídica criada por Bruxelas para permitir essa divisão do processo de ratificação.

De qualquer forma, a Comissão Europeia e os países que defendem o acordo, como a Espanha e a Alemanha, argumentam que o novo acordo permitirá o estabelecimento da "maior área de livre comércio do mundo", uma vez que os mercados europeus, juntamente com os da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, somarão 700 milhões de consumidores.

De acordo com a chefe do executivo da UE, Ursula von der Leyen, após a assinatura do acordo político com o Cone Sul em dezembro passado, em Montevidéu, a nova estrutura economizará 4 bilhões de euros em tarifas para os exportadores europeus, por exemplo, com a eliminação progressiva dos atuais 35% aplicados aos carros europeus e outros que afetam máquinas e têxteis.

Os negociadores europeus têm sido "extremamente cautelosos" com relação a produtos europeus sensíveis, como açúcar e carne bovina, de acordo com fontes da UE, que explicam que foram estabelecidos limites para as cotas de isenção de tarifas.

Bruxelas enfatiza que o acordo facilitará o investimento das empresas da UE nas principais cadeias de suprimentos, incluindo matérias-primas essenciais e produtos relacionados, sempre sob um "alto nível de proteção ambiental e trabalhista".

MECANISMO DE CONTROLE DE IMPORTAÇÃO

Para facilitar a ratificação pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu antes do final do ano, Bruxelas anunciou que também processará um ato legal esclarecendo o nível operacional das salvaguardas previstas pela UE para reagir a possíveis distorções resultantes da abertura dos mercados sob o novo pacto de livre comércio.

Essa iniciativa, que também precisará da aprovação da UE-27 e do Parlamento Europeu, estabelecerá um mecanismo para monitorar volumes, preços e participações de mercado nos países da UE e esclarecerá quando a Comissão poderá ativar medidas de controle específicas se detectar um aumento de 10% nas importações ou uma queda de 10% nos preços.

Esse elemento que completará o acordo, de acordo com fontes da UE, afeta apenas a UE, pois é seu próprio instrumento para monitorar o impacto do acordo e não requer consulta ou endosso dos países do Mercosul. O lado da UE também insiste que, após o acordo, a segurança e a saúde dos alimentos na UE continuarão a ser protegidas porque "nada que não tenha sido autorizado será autorizado".

Atenta às demandas dos agricultores, a Comissão Europeia também promete fornecer fundos específicos para responder a situações de crise que possam surgir no setor agroalimentar europeu. Nesse sentido, o executivo da UE lembra que o novo quadro orçamentário incluirá uma "nova rede de segurança" dotada de 6,3 bilhões de euros que, na prática, dobrará a reserva agrícola da UE para proteger os agricultores em situações de crise ou incerteza geopolítica, incluindo a implementação do acordo com o Mercosul.

O acordo abrangente entre a UE e o Mercosul também inclui salvaguardas para garantir o compromisso das partes com a luta contra as mudanças climáticas e o desmatamento, em linha com o Acordo Climático de Paris e que o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, desafiou. O acordo também inclui capítulos sobre direitos humanos, combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro e gerenciamento de migração.

Além da proposta legal para a ratificação do acordo com o Mercosul, o Colégio de Comissários adotou outra proposta para solicitar ao Conselho e ao Parlamento Europeu que deem luz verde ao marco negociado com o México para modernizar a relação comercial bilateral, cujo acordo está mais de 25 anos desatualizado. Nesse caso, Bruxelas também espera uma ratificação rápida, embora em 2026.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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