BRUXELAS, 10 abr. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia vai levar "o tempo necessário" para analisar os detalhes do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender parte das tarifas maciças sobre as importações europeias antes de decidir sobre os "próximos passos", como indicou o Executivo de Von der Leyen, que pouco antes considerou que o gesto de Washington é um "passo importante para a estabilização da economia global".
"A Comissão Europeia terá agora o tempo necessário para avaliar os últimos acontecimentos, em estreita consulta com os Estados membros e a indústria, antes de decidir sobre os próximos passos", disse o porta-voz comercial da UE, Olof Gill.
A UE continua pronta para participar de "negociações construtivas com os Estados Unidos, com o objetivo de alcançar um comércio sem atritos e mutuamente benéfico", acrescentou.
Dessa forma, Gill retoma parte da mensagem que Von der Leyen compartilhou pouco antes em um comunicado no qual saúda a suspensão de parte das tarifas, mas insiste na necessidade de regras "claras e previsíveis" para o funcionamento adequado do comércio internacional e, mais uma vez, estende a mão à Casa Branca para negociações.
Assim, o executivo da UE, que é responsável pela política de comércio exterior dos países da UE, ainda não esclareceu como a decisão de Trump influenciará as contramedidas que os europeus planejam ativar na próxima semana em retaliação às tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio europeus que permanecem em vigor porque a suspensão não abrange esse lote.
Os 27 deram sinal verde nesta quarta-feira para a primeira rodada de sobretaxas europeias que serão ativadas em três fases a partir da próxima terça-feira (15 de abril, 15 de maio e 1º de dezembro) e envolverão uma taxa de 25% sobre 21 bilhões de euros em compras dos Estados Unidos.
Bruxelas também disse esta semana que está finalizando uma segunda proposta de medidas retaliatórias para tarifas de 20% sobre todas as importações - agora suspensas por 90 dias - e 25% sobre automóveis e sobretaxas.
O cronograma, nesse caso, era apresentar um primeiro rascunho aos governos na próxima semana para discussão com as capitais e a indústria, com vistas à sua finalização e adoção em maio, quando entraria em vigor se, como fontes da UE indicaram à Europa Press, a administração Trump não se envolver em "negociações reais" antes desse prazo. As mesmas fontes consultadas agora não esclarecem como esse cronograma afeta os planos de Bruxelas.
DIÁLOGO E DIVERSIFICAÇÃO
"Condições claras e previsíveis são essenciais para que o comércio e as cadeias de suprimentos funcionem", indicou Von der Leyen em uma declaração na qual ela disse que também saudou o anúncio de Trump de "pausar as tarifas recíprocas", em referência às sobretaxas de 20% sobre todas as importações estrangeiras, incluindo as da União Europeia.
"É um passo importante para estabilizar a economia global", acrescentou a chefe do executivo da UE, que fala em nome da UE-27 sobre política comercial.
Von der Leyen também reiterou que a União Europeia "continua comprometida com negociações construtivas com os Estados Unidos, com o objetivo de alcançar um comércio sem atritos e mutuamente benéfico".
A conservadora alemã voltou a insistir que as tarifas são uma forma de "tributação" que "só prejudica as empresas e os consumidores" e que, portanto, a UE defende uma relação de "tarifa zero" entre a UE e os Estados Unidos.
No entanto, alertou Von der Leyen, a União "continua focada em diversificar" suas relações comerciais com acordos com países terceiros que fazem parte dos "87% do comércio internacional que compartilham nossos compromissos com a troca livre e aberta de bens, serviços e ideias".
"Estamos intensificando nosso trabalho para remover barreiras em nosso próprio mercado único. Esta crise deixou uma coisa clara: em tempos de incerteza, o Mercado Único é a nossa âncora de estabilidade e resiliência", conclui Von der Leyen.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático