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BRUXELAS 9 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, confirmou nesta quinta-feira que os ministros das Finanças da zona do euro continuarão analisando a proposta da Espanha de criar um ativo seguro europeu, apesar de reconhecer que os países mantêm “desacordos históricos” sobre essa iniciativa, que visa reforçar o papel internacional do euro por meio de emissões conjuntas de dívida.
A iniciativa, defendida pelo governo espanhol como uma ferramenta para dotar a UE de um ativo de referência comparável aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e fortalecer a posição internacional da moeda única, será analisada “nos próximos meses” pelos representantes permanentes adjuntos do fórum econômico antes que os ministros voltem a debatê-la.
“Um ativo seguro comum é um assunto sobre o qual, historicamente, temos tido divergências nesta sala. Dito isso, é um debate que vale a pena ter”, destacou Pierrakakis na coletiva de imprensa após a reunião com os ministros da área.
O presidente do fórum de ministros da Economia da zona do euro evitou revelar o conteúdo do debate realizado a portas fechadas, embora tenha insistido que “toda proposta deve ser e será analisada” e tenha ressaltado que todos concordam com a necessidade de agir rapidamente para impulsionar o investimento e a competitividade europeus, mesmo que nem sempre concordem quanto à forma de financiá-los.
Por sua vez, o comissário europeu de Economia, Valdis Dombrovskis, defendeu que o debate sobre um ativo seguro europeu “não é novo”, mas continua sendo “pertinente” no contexto atual, marcado pelas negociações do próximo orçamento plurianual da UE, pelo desenvolvimento da União de Poupança e Investimento e pelo objetivo de reforçar a competitividade e a resiliência financeira do bloco.
“Como comissário, continuo aberto a dar continuidade ao debate mais amplo sobre os ativos seguros europeus”, afirmou o político letão, que lembrou que a proposta de Bruxelas para o próximo quadro financeiro já prevê programas que recorrerão a novas emissões de dívida para financiar empréstimos tanto aos Estados-membros quanto aos países parceiros.
“Podemos aproveitar as importantes oportunidades que um papel internacional mais significativo do euro oferece, sem receio de que isso implique uma pressão de alta permanente sobre a taxa de câmbio”, acrescentou.
“CARÁTER TEMPORÁRIO” DAS NOVAS TENSÕES NO ORIENTE PRÓXIMO
Por outro lado, Pierrakakis defendeu a “resiliência” da economia da zona do euro, apesar do contexto de incerteza geopolítica, e mostrou-se confiante de que as novas tensões no Oriente Médio tenham um “caráter temporário”, após a recente moderação dos preços da energia.
No entanto, ele reconheceu que, antes da conclusão do acordo entre o Irã e os Estados Unidos — que, segundo ele, permitiu amenizar a escalada na região —, as previsões econômicas apontavam para um crescimento menor e uma inflação mais elevada, um cenário que ele descreveu como uma “tendência estaflacionária”.
O presidente do Eurogrupo afirmou ainda que, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o impacto da crise energética sobre a economia europeia foi 12% menor do que teria sido sem os investimentos realizados desde 2022 para reduzir a dependência energética após a invasão russa da Ucrânia.
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