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BRUXELAS, 1 jul. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia acredita que o ar-condicionado deve fazer parte da resposta às ondas de calor cada vez mais frequentes na Europa, embora tenha insistido que ele deve ser combinado com a reabilitação energética de edifícios, o planejamento urbano adaptado ao clima e soluções passivas, como isolamento, proteção solar ou a criação de áreas verdes, ao considerar que “não existe uma solução única” para enfrentar esse desafio.
“O ar-condicionado é, sem dúvida, uma das ferramentas e, em alguns casos, uma ferramenta muito necessária”, afirmaram fontes comunitárias, embora tenham ressaltado que ele deve ser integrado a uma abordagem “holística” de adaptação ao calor que contemple muitas outras medidas de adaptação nos territórios.
A mensagem chega em meio a uma sucessão de episódios de calor extremo na Europa, depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou mais de 1.300 mortes adicionais no continente desde 21 de junho relacionadas às altas temperaturas e alertou que a Europa é a região do mundo que mais rapidamente está se aquecendo.
Assim, as fontes destacaram que estratégias como o sombreamento de edifícios, o isolamento ou a ventilação natural podem reduzir a necessidade de refrigeração ativa e, quando essas medidas não forem suficientes, o ar-condicionado constitui uma solução necessária para garantir o conforto térmico.
No entanto, alertaram que confiar exclusivamente nesses equipamentos obriga à instalação de sistemas de maior potência, aumenta o consumo de energia elétrica e pode resultar em contas de energia mais elevadas. Além disso, alertaram que a implantação em massa de aparelhos sem planejamento urbano pode agravar o chamado efeito ilha de calor nas cidades.
As mesmas fontes também destacaram que a maior parte do parque imobiliário europeu “é antigo, ineficiente e não está preparado” para suportar temperaturas extremas, ao mesmo tempo em que os edifícios representam cerca de 40% do consumo energético da UE e 36% de suas emissões. Embora a maior parte desse consumo ainda seja destinada ao aquecimento, Bruxelas constata um crescimento progressivo da demanda por refrigeração.
Nesse contexto, a Comissão considera que a reforma constitui uma oportunidade para tornar os imóveis “mais eficientes, saudáveis e resilientes” diante das ondas de calor e lembra que cerca de 75% dos já existentes continuarão em uso em 2050; portanto, adaptar o parque imobiliário atual será um dos principais desafios.
COMPETÊNCIA PRINCIPAL DOS ESTADOS-MEMBROS
De qualquer forma, a Comissão lembrou que grande parte das decisões relacionadas à instalação de sistemas de refrigeração, ao urbanismo ou ao planejamento das cidades cabe aos Estados-membros, regiões e municípios, enquanto o papel da UE concentra-se principalmente em estabelecer normas para edifícios e produtos, além de facilitar o financiamento para a reabilitação energética.
Embora Bruxelas tenha se recusado a falar de uma “mudança de rumo” na política comunitária, reconheceu que o aumento dos fenômenos meteorológicos extremos está muito presente no diálogo com os Estados-Membros e antecipou que o aquecimento e a refrigeração farão parte do futuro plano europeu de eletrificação que a Comissão apresentará nas próximas semanas.
Paralelamente, defendeu a aceleração da adaptação às mudanças climáticas por meio de um futuro quadro europeu de resiliência, previsto para o quarto trimestre de 2026, ao alertar que as políticas atuais “não estão acompanhando o ritmo” do aquecimento global e que é mais rentável investir em prevenção do que arcar posteriormente com os custos dos danos decorrentes de fenômenos extremos.
De acordo com os dados divulgados pela Comissão Europeia, os danos causados por fenômenos meteorológicos extremos atingiram 822.000 milhões de euros entre 1980 e 2024, sendo que um quarto deles se concentrou apenas nos últimos quatro anos.
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