Publicado 27/03/2026 10:50

Bruxelas alerta que uma guerra prolongada no Irã poderia reduzir o crescimento econômico em 0,6 pontos

O comissário para a Economia, Valdis Dombrovskis, intervém num debate da sessão plenária do Parlamento Europeu realizada em Bruxelas.
ALAIN ROLLAND / EUROPEAN PARLAMENT

BRUXELAS 27 mar. (EUROPA PRESS) -

O comissário para a Economia, Valdis Dombrovskis, alertou nesta sexta-feira que uma escalada prolongada da guerra no Oriente Médio poderia ter um impacto significativo na economia europeia, com uma possível redução de até 0,6 pontos percentuais no crescimento nos próximos anos.

“As perspectivas são marcadas por uma profunda incerteza. Mas está claro que existe o risco de um choque de estagflação; ou seja, uma situação em que um menor crescimento coincide com uma maior inflação”, afirmou em coletiva de imprensa após a reunião com os ministros da Economia e das Finanças da zona do euro (Eurogrupo).

Segundo explicou, num cenário relativamente contido, com perturbações limitadas no abastecimento energético, o crescimento da União Europeia (UE) poderia situar-se cerca de 0,4 pontos abaixo do previsto, enquanto a inflação poderia aumentar até um ponto percentual.

Um impacto que, segundo o comissário, poderia se intensificar se a crise se agravar: “se as interrupções forem mais significativas e duradouras, as consequências negativas para o crescimento seriam ainda maiores. Pode ser até 0,6 pontos percentuais inferior tanto em 2026 quanto em 2027”, destacou.

A reunião, realizada por videoconferência em vez de em Nicósia (Chipre) devido ao impacto do conflito na região, serviu para analisar as repercussões econômicas da crise, especialmente no setor energético.

Nesse contexto, Dombrovskis destacou que o preço do petróleo Brent se manteve em torno de 100 dólares por barril nas últimas semanas, em um ambiente marcado por ataques a infraestruturas energéticas e tensões no estreito de Ormuz.

Por sua vez, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, sublinhou que os efeitos do conflito já começam a se refletir na economia real, com um aumento dos custos para as empresas e das contas de energia para as famílias.

"As empresas percebem isso em seus custos operacionais e as famílias em suas contas. Isso gera pressões inflacionárias e riscos significativos de menor crescimento em toda a Europa”, indicou, ao mesmo tempo em que insistiu que a duração e a intensidade da crise serão determinantes para avaliar seu impacto.

Diante dessa situação, os ministros da Economia e das Finanças concordaram com a necessidade de adotar medidas “específicas, temporárias e eficazes” para proteger os setores mais vulneráveis, mantendo, ao mesmo tempo, a responsabilidade fiscal.

O comissário adiantou que a Comissão Europeia está trabalhando em iniciativas para reduzir a carga tributária sobre a eletricidade, reforçar as infraestruturas energéticas e melhorar o funcionamento do sistema de comércio de emissões, com o objetivo de conter a volatilidade dos preços.

Além disso, ele ressaltou que as respostas nacionais deverão ser coerentes com os objetivos de descarbonização e evitar um aumento da dependência dos combustíveis fósseis.

O Eurogrupo também abordou o desenvolvimento da união de poupança e investimento como ferramenta para canalizar financiamento para a economia europeia, impulsionar a inovação e reforçar a competitividade num contexto internacional marcado por crescentes tensões geopolíticas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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