Publicado 28/04/2026 07:21

Bruxelas alerta que o orçamento europeu exigirá a definição de prioridades e defende maior flexibilidade

Archivo - Arquivo - As bandeiras da União Europeia tremulam em frente ao edifício Berlaymont, em Bruxelas, sede da Comissão Europeia.
Alicia Windzio/dpa - Arquivo

BRUXELAS 28 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia alertou nesta terça-feira que o próximo orçamento europeu para o período 2028-2034 exigirá "escolher entre diferentes opções" e defendeu o reforço da "flexibilidade" do quadro financeiro, considerando que isso será fundamental para adaptar as despesas às necessidades da União nos próximos anos.

“Chegar a tempo a um acordo sobre o quadro financeiro plurianual (QFP) é hoje mais importante do que nunca. Por definição, o QFP é uma âncora de previsibilidade. Ele traz certeza em um mundo incerto. Mas, justamente porque o ambiente está cada vez mais instável, também precisamos incorporar um certo grau de flexibilidade”, afirmou o comissário de Orçamento, Piotr Serafin, durante o debate na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo.

Em sua intervenção, ele destacou que a proposta de Bruxelas visa reforçar áreas como a competitividade, a segurança ou o papel global da União, ao mesmo tempo em que mantém o apoio a políticas tradicionais como a coesão e a política agrícola, embora tenha alertado para a necessidade de ajustar as prioridades ao nível dos recursos disponíveis diante da pressão orçamentária dos países.

“Sejamos sinceros, não podemos nos dar ao luxo de tudo. Os Estados-Membros também enfrentam pressão orçamentária. Por isso, é preciso decidir entre diferentes opções. Opções que devem ser selecionadas com responsabilidade, para conciliar a ambição com os recursos”, acrescentou.

Assim, ele sustentou que o equilíbrio entre ambição e recursos passa por avançar em novas fontes de financiamento para a União, para o que solicitou o apoio do Parlamento Europeu, ao mesmo tempo em que ressaltou o compromisso do Executivo comunitário como “mediador honesto” entre o Parlamento Europeu e o Conselho (Estados) para facilitar as negociações.

Da mesma forma, defendeu os planos nacionais e regionais incluídos na proposta da Comissão, ao considerar que permitirão aos Estados-Membros “utilizar melhor os recursos escassos”, em contraposição às críticas expressas pelo Parlamento Europeu, que alerta para possíveis riscos à transparência e à dimensão europeia das despesas.

O PARLAMENTO PEDE MAIS AMBIÇÃO

O Parlamento insiste na necessidade de dotar o próximo orçamento de maior ambição — com um aumento de cerca de 10% em relação à proposta de Bruxelas — para responder aos desafios do bloco e aponta para o reforço tanto das novas prioridades, como a segurança, a competitividade ou a inovação, quanto das políticas tradicionais, entre elas a agricultura e a coesão, que considera pilares da solidariedade europeia.

“A União precisa de meios mais adequados para responder coletivamente a um ambiente geopolítico, econômico e social que está mudando rapidamente”, assinalou a relatora do relatório com o qual o Parlamento Europeu definirá nesta terça-feira sua posição de negociação, a socialista portuguesa Carla Tavares, que reivindicou novas fontes de receita para evitar cortes em programas-chave e garantir o pagamento da dívida decorrente do “Next Generation” sem reduzir o apoio aos beneficiários.

Na mesma linha, a também socialista Sandra Gómez defendeu a criação de um “pacote ambicioso” de novos recursos próprios que permita arrecadar pelo menos 60 bilhões de euros para financiar as novas prioridades e arcar com o pagamento da dívida sem cortes, apostando, ao mesmo tempo, no avanço de medidas como a tributação digital, os impostos sobre jogos online ou sobre criptoativos.

Por sua vez, a eurodeputada do Partido Popular, Isabel Benjumea, rejeitou a transferência do modelo dos fundos de recuperação para o futuro orçamento e alertou contra uma possível “nacionalização” das políticas europeias, ao mesmo tempo em que defendeu a manutenção do financiamento das políticas agrícola, de coesão e pesqueira, bem como o reforço do investimento em defesa, competitividade e inovação e a simplificação da gestão para reduzir a carga burocrática.

Da esquerda, no entanto, Estrella Galán criticou o que considera “um orçamento de guerra”, que pretende “trocar a coesão social por tanques e drones”. Uma abordagem que, em sua opinião, coloca em risco as políticas sociais, razão pela qual ela exigiu proteger e dotar adequadamente o Fundo Social Europeu para enfrentar problemas como a pobreza ou a crise da habitação.

Por sua vez, a eurodeputada dos Verdes Diana Riba também questionou se a proposta de Bruxelas enfraquece as políticas sociais e o apoio ao setor agrícola, ao mesmo tempo em que criticou que o modelo proposto reduza o papel das regiões e do âmbito local na concepção e gestão dos fundos europeus.

NÚMEROS EM JUNHO PARA TENTAR UM ACORDO EM DEZEMBRO

O debate em Estrasburgo antecede a votação com a qual o Parlamento Europeu definirá seu mandato para as negociações, etapa prévia ao início das conversas com os Estados-membros, que continuam divididos quanto ao tamanho e às prioridades do futuro quadro financeiro.

Diferenças essas que já ficaram evidentes na recente cúpula informal realizada em Nicósia (Chipre), onde países como a Alemanha e os Países Baixos rejeitaram aumentar os recursos além da proposta da Comissão, em contraste com outros, como a Espanha, que defendem maior ambição para responder às novas prioridades do bloco.

Naquela que foi a primeira discussão ao mais alto nível político desde que Bruxelas apresentou sua iniciativa — que fixa um teto de gastos de 1,26% —, os líderes mantiveram o objetivo de fechar um acordo antes do final do ano, embora tenham evidenciado a distância entre aqueles que apostam no reforço dos recursos da UE para enfrentar desafios como a segurança ou a competitividade e aqueles que reivindicam ajustar os gastos ao nível disponível.

No entanto, a reunião foi encerrada com o compromisso do presidente de Chipre e da presidência de turno do Conselho da UE, Nikos Christodoulides, de apresentar na cúpula formal de junho uma contraproposta com números concretos que sirva de base para as negociações.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado