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MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou que o programa de recompra de títulos poderá ultrapassar os 4 bilhões de dólares (3,456 bilhões de euros), logo após anunciar esse valor, que já representa o dobro do limite máximo atual, em um momento marcado pelas altas taxas de juros cobradas sobre títulos com vencimento entre 10 e 30 anos, que atingiram níveis máximos nos últimos dias.
“Realizamos recompras regularmente e vamos aumentar o volume dessas recompras. (...) Vale ressaltar que esse valor pode ultrapassar 4 bilhões de dólares por emissão”, afirmou Bessent em entrevista concedida à emissora de televisão CNBC.
O recente anúncio permitiu que, durante o dia de quarta-feira, os rendimentos da dívida norte-americana de longo prazo recuassem significativamente. Os títulos de 30 anos atingiram 5,187%, contra 5,337% no dia anterior, e a taxa de rendimento dos títulos de 10 anos ficou em 4,637%, contra 4,748%.
No entanto, as quedas registradas foram praticamente anuladas nesta quinta-feira, após uma alta generalizada nos rendimentos dos títulos. Assim, o título de 30 anos registrava 5,241% e o de 10 anos subiu para 4,7%.
Bessent afirmou que conta com “uma ampla gama de ferramentas” para conter o aumento dos custos de endividamento do governo dos Estados Unidos, entre as quais considera importante “enviar sinais e demonstrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes”, ao mesmo tempo em que anunciava o possível aumento do volume de recompras.
“Queremos deixar claro que acreditamos que este é um segmento do mercado com pouca liquidez, que estamos em agosto e que muitas emissões corporativas foram afetadas. Acreditamos que há muitos fatores subjacentes que o mercado não está levando em conta. E vamos dinamizar esse mercado”, destacou.
O secretário do Tesouro afirmou que tentarão “fazer com que as pessoas se concentrem nos fundamentos e não se deixem levar pelas manchetes” e observou que “os mercados provavelmente se anteciparam um pouco”, já que “muitas pessoas não tinham muito o que fazer em agosto”, destacando a pressão sobre o mercado de títulos em um momento de pouca atividade.
NÃO ESTÁ PREOCUPADO COM O VOLUME DA DÍVIDA
A dívida dos Estados Unidos ultrapassou nesta quinta-feira, pela primeira vez, o limite de 40 trilhões de dólares (34,4 trilhões de euros), segundo dados do Departamento do Tesouro; no entanto, Scott Bessent minimizou a questão e destacou que há muita desinformação a respeito.
“Não há nada de mágico nesses 40 trilhões de dólares. E podemos sair dessa situação por meio do crescimento econômico”, afirmou ele, acrescentando em seguida que a população deve entender que se trata de “investimento para o futuro” e não de “gastos do governo”.
Mesmo assim, o secretário do Tesouro afirmou que, nos próximos dias, será anunciado um novo plano fiscal voltado para a consolidação do orçamento.
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