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MADRID, 20 mar. (EUROPA PRESS) -
A falta de soluções pan-europeias de pagamento digital e a dependência da Europa de provedores estrangeiros "alcançaram níveis alarmantes", segundo o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, para quem essa situação deixa a Europa exposta a "riscos de pressão e coerção econômica", para os quais o euro digital representa uma solução promissora para neutralizá-los e garantir que a zona do euro mantenha o controle sobre seu futuro financeiro.
Falando em uma conferência na quinta-feira, o economista irlandês destacou que as empresas norte-americanas, como Visa e Mastercard, agora processam 65% dos pagamentos com cartão na zona do euro e, em treze dos vinte países da zona, os sistemas nacionais de cartões foram completamente substituídos por essas alternativas, enquanto os pagamentos por meio de aplicativos, dominados por empresas de tecnologia não europeias (como Apple Pay, Google Pay e PayPal), agora representam quase um décimo das transações de varejo e estão apresentando um crescimento anual de dois dígitos.
Assim, ao depender de cartões internacionais, aplicativos ou moedas estáveis, a área do euro terceiriza sua infraestrutura de pagamento e se expõe a mudanças nos termos de uso ou ameaças de retirada do serviço, riscos que podem ser exacerbados pelo crescente domínio de empresas de tecnologia estrangeiras e pelo aumento da detenção de moedas estáveis em moedas estrangeiras, uma vez que 99% desse mercado está atrelado ao dólar.
"Essa dependência expõe a Europa a riscos de pressão e coerção econômica e tem implicações para nossa autonomia estratégica, limitando nossa capacidade de controlar aspectos críticos de nossa infraestrutura financeira", enfatizou Lane.
O economista-chefe do BCE também indicou que a crescente prevalência da "dolarização digital" prejudicaria a soberania monetária da zona do euro ao comprometer a capacidade de controlar a unidade de conta dentro de sua jurisdição, de modo que a moeda nacional correria o risco de perder seu status dominante para expressar preços e liquidar transações.
Assim, com a diminuição da proporção de transações liquidadas em moeda nacional, a capacidade do banco central de implementar uma política monetária eficaz e manter a estabilidade dos preços também seria significativamente afetada.
"Para a zona do euro, a erosão da soberania monetária também teria um significado simbólico histórico, pois afetaria o euro como um símbolo da identidade europeia e a percepção da coesão de todo o sistema monetário", acrescentou.
Em sua opinião, o euro digital é uma solução promissora "para combater esses riscos" e garantir que a área do euro mantenha o controle sobre seu futuro financeiro, pois ofereceria uma opção de pagamento digital segura e universalmente aceita sob a governança europeia, reduzindo a dependência de provedores estrangeiros.
De uma perspectiva estratégica, o euro digital reduziria o risco de stablecoins em moedas nacionais adquirirem uma participação de mercado significativa no sistema de pagamentos nacional, o que seria altamente perturbador para o sistema bancário e a intermediação de crédito.
Além disso, a disponibilidade do euro digital também limitaria a probabilidade de as stablecoins em moeda estrangeira se firmarem como meio de troca na área do euro, embora esses riscos pudessem ser aumentados pelo poder das externalidades da rede se o lançamento de um euro digital fosse adiado.
Além disso, para o executivo do BCE, o euro digital representa uma oportunidade única de superar a persistente fragmentação dos sistemas de pagamento de varejo na área do euro, o que levou a uma escassez de opções de pagamento pan-europeias e cria barreiras para clientes e empresas que realizam transações internacionais na área do euro.
Lane argumentou que a imposição da aceitação do euro digital pode criar "efeitos de rede instantâneos" que unificam o fragmentado mercado europeu e facilitam a inovação dos provedores de pagamento privados, ao mesmo tempo em que se beneficiam de economias de escala, reduzindo, em última instância, os custos para consumidores e empresas.
"O euro digital não busca apenas garantir que nosso sistema monetário se adapte à era digital. Ele busca garantir que a Europa controle seu destino monetário e financeiro, em um contexto de crescente fragmentação geopolítica", disse Lane.
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